A permanência prolongada sentado pode favorecer a trombose venosa profunda, condição em que um coágulo se forma nas veias, geralmente dos membros inferiores, e bloqueia parcial ou totalmente a passagem do sangue. O risco está relacionado não apenas à falta de exercícios, mas também ao excesso de horas consecutivas sem movimentação.
Jornalistas, executivos, médicos, advogados, motoristas, programadores e funcionários de escritório podem passar oito, 10 ou até 12 horas em uma cadeira. Mesmo quem pratica atividade física e realiza exames periódicos pode enfrentar os efeitos da imobilidade prolongada, explica a cirurgiã vascular Aline Lamaita.
Como a imobilidade interfere na circulação
Ao caminhar, cada passo comprime as veias profundas das pernas e ajuda a impulsionar o sangue de volta ao coração. Esse mecanismo depende da contração da musculatura da panturrilha, conhecida como uma espécie de coração periférico. Quando a pessoa permanece sentada, sobretudo com os joelhos flexionados e pouco movimento dos tornozelos, a bomba muscular funciona menos.
Com o fluxo mais lento, o sangue permanece por mais tempo dentro das veias, o que favorece a estase venosa. A baixa atividade também pode provocar alterações no endotélio, camada interna dos vasos que produz substâncias anticoagulantes e vasodilatadoras. Esse processo aumenta a possibilidade de um ambiente favorável à coagulação.
A situação integra a chamada tríade de Virchow, formada pela lentidão do fluxo sanguíneo, pelas alterações na parede dos vasos e pela maior tendência individual à coagulação. Obesidade, tabagismo, idade acima de 40 anos, uso de anticoncepcionais ou terapias hormonais, histórico familiar e resistência à insulina são fatores adicionais mencionados pela médica.
A trombose pode causar dor, inchaço e sensação de peso nas pernas, mas nem sempre apresenta sinais claros. Em alguns casos, a primeira manifestação é uma embolia pulmonar, quando parte do coágulo se desprende e chega aos pulmões. Podem ocorrer falta de ar súbita, dor torácica, queda da oxigenação e até morte súbita.
Medidas para reduzir o risco
A orientação é fazer pausas ao longo do dia e evitar ficar mais de 30 a 60 minutos consecutivos sentado. Levantar-se por dois ou três minutos, caminhar pelo ambiente, flexionar os pés ou contrair repetidamente a panturrilha ajuda a reativar a bomba muscular e a melhorar o fluxo venoso.
Pessoas com fatores de risco adicionais podem passar por avaliação vascular para verificar a necessidade de medidas complementares, como meias de compressão graduada ou protocolos específicos de prevenção.



