Algumas espécies de beija-flor entram em torpor durante a noite, reduzindo intensamente o metabolismo e a temperatura corporal para preservar energia até a manhã. Durante o dia, essas aves gastam muito combustível com o voo, os deslocamentos, os batimentos acelerados e as visitas frequentes às flores. Quando escurece, porém, deixam de se alimentar por várias horas.
Para um animal tão pequeno, manter durante a noite o mesmo ritmo metabólico do período ativo teria um custo alto. O torpor funciona como uma estratégia temporária de economia, acionada quando não há entrada de alimento e o gasto energético precisa ser reduzido.
Como o corpo muda durante o torpor
Nesse estado, a temperatura corporal pode cair, o metabolismo desacelera e a frequência cardíaca diminui. A respiração fica mais lenta, o consumo das reservas acumuladas durante o dia é menor e o beija-flor responde menos ao ambiente. Por isso, pode parecer quase imóvel, embora o organismo continue funcionando em um nível compatível com a sobrevivência.
O mecanismo não é usado obrigatoriamente todas as noites. A adoção do torpor varia de acordo com a espécie, a temperatura do ambiente, a disponibilidade de alimento e a quantidade de reservas energéticas ao anoitecer. Noites frias, escassez de alimento, migrações e períodos de grande gasto físico podem favorecer a entrada nesse estado.
Retorno à atividade
Sair do torpor também exige energia. Antes de voltar a voar e procurar flores, o beija-flor precisa elevar novamente a temperatura corporal, acelerar o metabolismo e produzir calor. A recuperação pode levar algum tempo. Depois disso, os batimentos e os movimentos retornam a um ritmo intenso.
O pequeno tamanho do corpo contribui para a perda rápida de calor, dificultando a conservação da temperatura durante períodos frios. Sem uma forma de reduzir o gasto, uma parcela maior das reservas poderia ser consumida durante a noite. O torpor permite atravessar o intervalo sem alimentação usando uma fração menor dessa energia.
Embora compartilhe com a hibernação a redução do metabolismo e da temperatura corporal, o torpor dos beija-flores não é o mesmo fenômeno. A hibernação costuma durar períodos mais longos; já o torpor dessas aves geralmente ocorre por algumas horas, frequentemente durante a noite. É uma mudança rápida e reversível entre a atividade intensa do dia e a economia profunda necessária para sobreviver até a manhã.



