A atividade leiteira do Rio Grande do Sul poderá chegar a menos de 3 mil produtores daqui a 25 anos se não houver mudanças no setor, afirma Jaime Ries, assistente técnico regional da Emater/RS. O alerta ocorre após uma década em que o número de produtores caiu de 84 mil para 28 mil, uma redução de 65%.
Mesmo com a saída de milhares de famílias, o estado segue produzindo cerca de 4 bilhões de litros de leite por ano. Para a Emater/RS, esse resultado está relacionado ao ganho de eficiência entre os produtores que continuam na atividade, que precisam investir e buscar alternativas para melhorar o desempenho.
Ries resume a projeção: “se nada for feito para mudar esse cenário, o estado poderá ter menos de 3 mil produtores de leite daqui a 25 anos”. A redução preocupa pelo impacto da atividade na economia dos municípios, sobretudo nos menores e nos que têm forte presença da agricultura familiar.
A Emater/RS entrevistou 571 famílias de um universo de 55 mil produtores que deixaram a produção na última década. Entre os entrevistados, 40% encerraram completamente a atividade leiteira. A maioria tinha entre 20 e 40 anos de atuação.
O levantamento também mostra a predominância do trabalho familiar. Em média, 2,6 pessoas participavam da produção em cada propriedade, e 93% da mão de obra vinha da própria família. Além disso, 34% dos produtores tinham mais de 51 anos. Outros 37% trabalhavam em áreas de até 10 hectares, com rebanhos de 11 a 15 vacas e produtividade média de 18 litros por animal.
Entre os fatores que dificultam a permanência estão os prejuízos causados por eventos climáticos extremos, os preços baixos pagos pelo litro de leite e a falta de sucessão familiar. As pequenas propriedades aparecem como as mais expostas a essas dificuldades.
Na Expointer, a Associação de Criadores de Gado Holandês e a Associação das Pequenas e Médias Indústrias de Laticínios do Rio Grande do Sul lançaram a campanha “O Lado Bom de Ser Produtor de Leite”. A iniciativa pretende destacar a importância econômica e social da atividade e apresentar uma imagem mais organizada e tecnificada do produtor.
Entre os que permanecem está Anderson Sipp, que investe em vacas holandesas vermelhas. Segundo ele, os animais são mais rústicos e menos suscetíveis ao estresse térmico. Sipp também relaciona a continuidade na atividade ao vínculo com a produção: “o leite, as vacas, é o que corre no sangue da gente. Então é a paixão”.



