Terça-feira, 8 de setembro de 2026
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Estudo projeta forte redução de produtores de leite no Rio Grande do Sul até 2051

Levantamento aponta que o estado pode chegar a menos de 1,7 mil famílias na atividade, ante os atuais 29 mil produtores.

Estudo projeta forte redução de produtores de leite no Rio Grande do Sul até 2051
Foto: Marcelo Beledeli/Globo Rural

Mais de 55 mil produtores de leite deixaram a atividade no estado entre 2015 e 2025. Um estudo do pesquisador Wagner Beskow, sócio da consultoria Transpondo, com base em levantamentos da Emater/RS, estima que o número pode cair para menos de 1,7 mil famílias em 2051, caso o ritmo observado na última década continue. Isso representaria uma redução de 94% em relação aos atuais 29 mil produtores.

A projeção considera a permanência de condições conjunturais semelhantes às atuais, incluindo câmbio, exportações e importações. O pesquisador ressalva que o cálculo indica uma tendência, e não uma previsão exata.

Motivos para o abandono

A Emater/RS investigou as razões da saída da atividade em 385 municípios, ouvindo 571 famílias. O levantamento foi apresentado na 49ª Expointer, em Esteio (RS).

A decisão costuma resultar da combinação de fatores. Entre os aspectos internos mais citados estão a penosidade do trabalho, com 66,4%, a falta de mão de obra familiar, com 61,3%, e o desinteresse dos filhos, com 37,8%. Também pesa a dificuldade de contratar trabalhadores, tanto pelo custo quanto pela disponibilidade.

Entre os fatores externos, aparecem o baixo preço do leite, mencionado por 79,3% dos entrevistados, o custo dos insumos, com 66,7%, e a contratação de mão de obra, com 30,3%. Estiagens, aposentadorias e a saída de filhos da propriedade podem funcionar como gatilhos em um processo que geralmente já vinha sendo considerado pela família.

Depois de deixar a produção, pouco mais de um terço das famílias relatou alguma redução de renda. Ainda assim, muitas disseram estar satisfeitas com as atividades atuais. A produção de leite foi reconhecida por ter ajudado a financiar estudos, formar patrimônio e melhorar as condições de vida. Mesmo assim, 79,8% não pretendem voltar a vender leite; 16,2% não sabem ou talvez retomem a atividade, e 4% afirmam pensar em retornar.

Menos famílias, mais produtividade

Enquanto o número de produtores diminui, a produção e a produtividade aumentam. No Brasil, a média passou de 1.105 litros por vaca/ano em 2000 para 2.362 litros/vaca/ano em 2024. No mesmo período, a produção nacional cresceu de 19,7 bilhões para 35,7 bilhões de litros.

No Rio Grande do Sul, propriedades que produziam menos de 100 litros por dia antes de 2015 alcançam hoje quase 500 litros diários. O setor também avançou em escala, genética e eficiência, com a concentração de animais de maior potencial em propriedades com mais capacidade de investimento.

A profissionalização é acompanhada pelas indústrias, que estimulam o aumento da produção por animal. Ainda assim, representantes do setor apontam preocupação com a dimensão social da saída contínua de famílias.

Na Cabanha Santa Clara, em Humaitá (RS), investimentos e sucessão familiar sustentam a atividade. A propriedade tem 32 hectares produtivos, um rebanho de 170 cabeças e produz 2,5 mil litros por dia. Em Anta Gorda (RS), a Granja Ferraboli venceu o concurso leiteiro da Expointer 2026 com uma vaca que produziu 85,27 quilos em um dia. As duas propriedades relatam a permanência da nova geração, embora os custos de produção continuem entre as principais dificuldades do setor.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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