ESTEIO (RS) — A prevenção da tristeza parasitária bovina não exige necessariamente a eliminação completa dos carrapatos. Em propriedades onde a doença é endêmica, o manejo deve considerar a estabilidade enzoótica e reduzir o risco de casos clínicos, conforme orientação de Daniel Rodrigues, gerente técnico da unidade de negócio de Ruminantes da MSD Saúde Animal.
“O objetivo não é necessariamente eliminar completamente o carrapato, pois a exposição controlada pode contribuir para a manutenção da imunidade dos animais”, explica Rodrigues. A estratégia deve levar em conta as características epidemiológicas do rebanho e as condições específicas de cada propriedade.
Como organizar o controle
O carrapato é o principal vetor da doença. Ao se alimentar de um bovino infectado, ele pode adquirir o agente e transmiti-lo a outro animal durante uma nova alimentação. Em algumas situações, a transmissão também pode ocorrer por insetos ou materiais contaminados.
Por isso, o controle não deve se resumir à aplicação de carrapaticida quando os parasitas aparecem. Entre as medidas indicadas estão o monitoramento regular do rebanho, o acompanhamento da quantidade de carrapatos e o registro de casos de tristeza parasitária.
A escolha do produto precisa ser adequada à propriedade, com respeito à dose, ao intervalo, ao modo de aplicação e ao período de carência. O especialista também recomenda evitar misturas e subdosagens por conta própria, alternar princípios ativos conforme orientação técnica e realizar corretamente o tratamento de todo o lote quando houver indicação. Animais provenientes de outras propriedades, feiras ou exposições devem ser avaliados antes de entrar no rebanho.
Aplicações incompletas ou incorretas podem manter animais parasitados e favorecer a seleção de carrapatos resistentes aos produtos utilizados.
Sinais que exigem atenção
Um dos touros mortos durante a 49ª Expointer, em Esteio (RS), teve a morte atribuída à tristeza parasitária bovina pelo veterinário responsável pelos animais do evento. A TPB reúne enfermidades provocadas principalmente por protozoários e bactérias que vivem no sangue dos bovinos. Entre os agentes estão Babesia bovis e Babesia bigemina, ligados à babesiose, e Anaplasma marginale, causador da anaplasmose.
Os sinais iniciais podem ser discretos: o bovino pode ficar mais parado, afastado do lote, com a cabeça baixa e as orelhas caídas. Também podem ocorrer perda de apetite e de ruminação, pelos arrepiados, febre e aumento das frequências respiratória e cardíaca. Em vacas leiteiras, a queda na produção de leite pode ser outro indício.
Com a destruição das hemácias, podem surgir mucosas pálidas, fraqueza, desidratação, icterícia e dificuldade para se movimentar. Na babesiose, principalmente nos casos associados a B. bigemina, a urina pode ficar escura ou avermelhada por causa da hemoglobinúria. A doença pode evoluir para anemia intensa, alterações neurológicas e morte.
Transporte e suspeita de infecção
Um animal pode estar infectado sem sinais clínicos, em período de incubação ou com infecção subclínica. Transporte, mudança de ambiente e manejo intenso podem alterar as respostas imunológica e fisiológica e coincidir com o aparecimento dos sintomas. Isso não significa necessariamente que o estresse tenha causado a infecção; ele pode ter favorecido a manifestação de uma infecção já existente.
Ao identificar sinais compatíveis com TPB, o produtor deve procurar atendimento veterinário. Mais de um agente pode estar presente no mesmo animal, e outras doenças podem apresentar sinais semelhantes. O diagnóstico orienta o tratamento e as medidas de controle para o restante do rebanho. Também é importante informar ao veterinário sobre transporte recente, mudança de lote, participação em feiras e outros manejos anteriores ao surgimento dos sinais.



