A chuva registrada nos últimos dias não pode ser atribuída automaticamente ao El Niño. Embora o fenômeno esteja configurado no Pacífico e seja considerado forte, episódios específicos de precipitação dependem dos sistemas meteorológicos que atuam em cada momento.
A meteorologista Désirée Brandt explica que o El Niño influencia padrões de chuva e temperatura em uma escala mais ampla, ao longo de semanas e meses. Frentes frias, áreas de instabilidade e outros sistemas podem determinar a ocorrência de uma chuva em um dia específico.
"Não é uma regra, não é que os seus efeitos vão estar ali o tempo todo", afirma Désirée.
Previsão de fortalecimento
A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos Estados Unidos (NOAA) elevou para 75% a probabilidade de o fenômeno atingir uma intensidade histórica entre outubro e dezembro, acima dos eventos registrados desde 1950. A agência também indica mais de 90% de chance de que o episódio seja classificado como muito forte nesse período.
A expectativa é de aumento da intensidade durante o trimestre de outubro, novembro e dezembro. Conforme o fenômeno se fortalece, cresce a possibilidade de seus efeitos aparecerem nos padrões atmosféricos. Isso não significa, porém, que toda mudança de temperatura ou ocorrência de chuva esteja ligada a ele.
No Sul do Brasil, o El Niño costuma favorecer períodos mais chuvosos. Em outras áreas, pode contribuir para uma distribuição mais irregular das precipitações. No Sudeste e no Centro-Oeste, a influência histórica mais comum está relacionada às temperaturas, com maior probabilidade de períodos de calor.
Efeitos para o campo
A chuva pode ocorrer normalmente durante a atuação do fenômeno. O que tende a mudar é o comportamento da atmosfera ao longo de semanas e meses, e não necessariamente a ocorrência de cada evento isolado.
Para as próximas semanas, a expectativa é de continuidade na evolução das chuvas, favorecendo o avanço do plantio da primeira safra em diversas regiões. Ainda há possibilidade de períodos de falha nas precipitações e de aumento das temperaturas. Por isso, o acompanhamento do volume e da regularidade das chuvas, além do comportamento térmico, permanece importante para o campo.



