A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) comprou 191 mil toneladas de milho para reforçar os estoques públicos e abastecer pequenos criadores de animais, principalmente no Nordeste. A oferta pelo Programa de Venda em Balcão (ProVB) está prevista para começar em outubro, com preços acessíveis.
A operação envolve R$ 228 milhões e utiliza parte dos recursos extraordinários liberados pela Medida Provisória 1.385/2026. A iniciativa integra um pacote do Ministério do Desenvolvimento Agrário voltado ao enfrentamento e à prevenção de possíveis efeitos do El Niño sobre a produção agropecuária em 2026, com foco na garantia de insumos para a alimentação animal em áreas onde a estiagem pode ser prolongada.
As compras foram realizadas em leilões na última sexta-feira (18/9) e na segunda-feira (21/9). Do volume total, 121 mil toneladas vieram de agricultores familiares e 70 mil toneladas, de produtores de médio e grande portes. A quantidade corresponde a 85,27% das 224 mil toneladas oferecidas nos pregões. A intenção inicial era adquirir 180 mil toneladas.
O milho será encaminhado para unidades armazenadoras da Conab na Bahia, em Goiás, no Maranhão, em Minas Gerais, em Mato Grosso do Sul e no Rio Grande do Sul. O crédito extraordinário também financiará a remoção do produto até os pontos de venda destinados aos pequenos pecuaristas.
Segundo o diretor de Operações e Abastecimento da Conab, Arnoldo Campos, a procura pelo milho do ProVB aumentou em setembro. O programa havia recebido 145 mil toneladas em 2025 e outras 26 mil toneladas antes da nova compra realizada neste ano. A demanda diária passou de cerca de 500 toneladas no início do ano para 900 toneladas agora.
“Mais de 80% das vendas ocorrem no Nordeste”, afirmou Campos. A Conab planeja ampliar os pontos de venda. Na Bahia, onde existem três locais de comercialização, deverão ser acrescentados mais sete.
A estatal também prepara uma operação para comprar farelo de soja para o ProVB. Os detalhes serão anunciados no dia 30 de setembro, em Brasília. A medida foi viabilizada pela lei 15.490/2026, sancionada em agosto, que ampliou os produtos que podem ser comprados e ofertados pela Conab. A parceria com a indústria processadora de soja será feita sem recursos públicos.



