BELO HORIZONTE — O 15º Congresso Brasileiro do Algodão começa nesta terça-feira (22/9), em Belo Horizonte, com expectativa de reunir mais de 4.000 pessoas ligadas à produção, ao comércio, à indústria e à pesquisa. Organizado pela Associação Brasileira dos Produtores de Algodão (Abrapa), o evento segue até quinta-feira (24/9) e terá como temas o controle de pragas, a concorrência das fibras sintéticas, a rastreabilidade e as inovações tecnológicas.
A programação ocorre quando a safra brasileira está perto do fim, com produção estimada em 4,25 milhões de toneladas. A área plantada caiu 8% em relação a 2025. O Brasil é o terceiro maior produtor mundial e lidera as exportações da pluma. Entre agosto de 2025 e julho de 2026, o país embarcou 3,5 milhões de toneladas, enquanto os Estados Unidos exportaram 2,8 milhões.
Produto biológico contra o bicudo
Entre os lançamentos previstos está o Grandis, da empresa suíça Biotrop, apresentado como o primeiro produto biológico para o controle do bicudo-do-algodão (Anthonomus grandis). O besouro é apontado como responsável pelos maiores danos à cultura e pode causar prejuízos de até 70% na produtividade.
De acordo com Marcio Portocarrero, diretor-executivo da Abrapa, o produto já passou por testes de campo e aguarda registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). A expectativa é que ele reduza em até 40% o uso de produtos químicos e tenha custo menor que a alternativa química. A eliminação do bicudo é considerada praticamente impossível.
Outra novidade será a cultivar GA 912, da Girassol Agrícola. A variedade promete elevado peso médio dos capulhos e rendimento de fibra de 41,8%.
Mercado interno e exportações
Cerca de 700 mil toneladas, equivalentes a 30% do algodão brasileiro, são destinadas atualmente ao mercado interno. A meta do setor é elevar esse volume para 1 milhão de toneladas até 2030. A Abrapa também planeja ampliar as vendas para China, Bangladesh, Turquia, Vietnã, Paquistão, Índia e Egito, além de buscar novos compradores de algodão de qualidade.
O cenário de preços também será discutido. Com a alta do petróleo provocada pelo cenário geopolítico, a fibra natural está 25% mais barata que a sintética. Em condições normais, porém, o algodão custa 20% a mais.
O consumo mundial de algodão está em cerca de 24 milhões de toneladas e permanece estagnado há 12 anos. Para Portocarrero, a preocupação com microplásticos, saúde e impactos ambientais das fibras sintéticas pode abrir espaço para o crescimento da demanda.
O setor afirma ainda que 60% dos fios brasileiros são classificados como de primeira linha e que 99,9% dos fardos têm rastreamento individual. O congresso também tratará de desmatamento, cadeia de custódia e gestão de custos. O investimento estimado no evento é de R$ 12 bilhões a R$ 14 bilhões, bancado por empresas e inscrições.



