Um documento elaborado após o Fórum Javali: Impactos, Estratégias e Ação Coordenada estabeleceu quatro premissas para orientar o controle de javalis. O encontro, promovido pelo Departamento de Sustentabilidade da Federação da Agricultura e Pecuária do Estado de São Paulo (Faesp), reuniu especialistas, caçadores e produtores rurais.
Entre as diretrizes estão a criação de uma política pública integrada, o uso de conhecimento científico e monitoramento contínuo, a aceleração das medidas no campo e um tratamento proporcional à gravidade dos danos atribuídos aos animais. O texto também defende a participação dos produtores e a coordenação do governo nas ações.
A Faesp informou que uma pesquisa com a participação de 76 sindicatos paulistas identificou a presença de javalis em todas as regiões de São Paulo. Os produtores de grãos aparecem como os mais atingidos, mas também foram registrados prejuízos em culturas cítricas e na olericultura. A entidade mencionou ainda a contaminação de recursos hídricos que abastecem propriedades.
Monitoramento e articulação
Durante o fórum, foram apresentados casos de sucesso no Brasil, nos Estados Unidos e na Austrália. As experiências reforçaram, conforme as discussões, a necessidade de uma força-tarefa que envolva legislação, plataformas de monitoramento e cadastro de profissionais de manejo e caça.
A diretora de Biodiversidade e Florestas do Ibama, Livia Martins, afirmou que a plataforma atual é declaratória e que o órgão desenvolve uma nova ferramenta para retratar a situação dos javalis no país. O consultor da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), Júlio Daniel do Vale, da JDV Ambiental, participou da elaboração das propostas que deram origem ao documento final.
O presidente da Faesp, Tirso Meirelles, colocou o Sistema Faesp/Senar à disposição para a defesa de políticas públicas e a criação de cursos voltados às necessidades do campo. O subsecretário da Agricultura e Abastecimento de São Paulo (SAA), Diógenes Kassaoka, também apontou o fórum como uma etapa inicial para organizar ações futuras.
Danos e projeções
O javali é considerado uma das cem piores espécies exóticas invasoras do mundo. Há registros em 15 unidades da Federação, e os animais também provocam danos ao solo, cercas e estruturas das propriedades, além de consumir e destruir plantações.
Relatos localizados em 2026 apontaram perdas de até 40% na produção de milho em áreas severamente atingidas. Um estudo econômico publicado em 2025 projetou que, em um cenário intermediário envolvendo milho, soja e cana-de-açúcar, o controle populacional poderia elevar o Produto Interno Bruto em 0,15% até 2030 em relação ao cenário-base. O benefício estimado foi de aproximadamente R$ 1.016 por animal manejado.



