Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pesquisa testa cultivo de camarão marinho em tanques no interior paulista

Estudo em Jaguariúna busca viabilizar a criação longe do mar, mas enfrenta perdas provocadas por doença viral.

Pesquisa testa cultivo de camarão marinho em tanques no interior paulista
Foto: Divulgação

Uma pesquisa realizada em Jaguariúna, no interior de São Paulo, testa a criação de camarão marinho em tanques instalados a cerca de 200 km do litoral. O estudo é conduzido pelo zootecnista e criador Fábio Sussel, que há quatro anos avalia a viabilidade técnica e econômica do cultivo em terra.

A iniciativa é uma parceria público-privada entre o Instituto de Pesca e a Eden Farm, empresa que distribui camarão premium em São Paulo, com apoio da Fundação de Apoio à Pesquisa Agrícola. A estrutura tem sete tanques de cultivo, distribuídos em duas estufas fechadas.

Água e controle da doença

A água usada no sistema recebe sais para reproduzir o balanço iônico da água do mar. Como o custo impede a troca frequente, ela é tratada biologicamente por filtragem. Para Sussel, o principal obstáculo não é alcançar a salinidade adequada, mas controlar a Síndrome da Nim, também chamada de mionecrose infecciosa, causada por um vírus.

O patógeno chega com as pós-larvas compradas da Aquatec, no Rio Grande do Norte, e pode se multiplicar na água. De acordo com o pesquisador, houve ciclos sem manifestação da doença e outros em que as perdas ultrapassaram 80%. “Ainda não encontrei o equilíbrio na criação”, afirmou.

A criação exige cuidados com a água, uso de probióticos na água e na ração, imunoestimulantes e aspectos nutricionais. A alta concentração de animais necessária para tornar o negócio rentável aumenta o risco de perdas. Nos tanques de 100 metros cúbicos, Sussel utiliza 500 camarões por metro quadrado. Em viveiros escavados no Nordeste, a densidade fica entre 10 e 15 por m².

Quando a doença aparece, a sobrevivência pode cair para 24%, nível que, segundo o pesquisador, não cobre os custos. Sem a doença, chega a 80%, com possibilidade de lucro. A produtividade também pode variar de 30% a 40% entre um ciclo e outro.

Mudança no mercado

No início, os camarões eram retirados após 200 dias, com 17 gramas, para abate e venda ao consumidor. Atualmente, a produção é direcionada ao mercado de pesca esportiva do robalo, como isca viva de 5 a 6 gramas. Esse modelo exige 100 dias de cultivo e é considerado mais rentável por Sussel.

O pesquisador também passou a realizar eventos técnicos gastronômicos e treinamentos corporativos para ajudar a reduzir os custos da fazenda. As atividades incluem demonstrações de abate humanitário com água muito fria, limpeza, preparos simples e degustação.

A preferência pelo camarão marinho está relacionada à baixa produtividade do camarão de água doce. Segundo Sussel, os machos da espécie de água doce são territorialistas, enquanto os camarões marinhos vivem de forma comunitária.

Produção brasileira

A Região Nordeste concentra 99,7% da produção brasileira de camarão, e parte do cultivo já ocorre a pelo menos 100 km do mar, em águas salobras. A salinidade média dos oceanos é de 35 per mil, mas o camarão marinho pode ser criado com 0,5 per mil, conforme o pesquisador.

O Brasil produz 260 mil toneladas anuais de camarão, segundo a Associação Brasileira de Criadores de Camarão. A pesca extrativa acrescenta 60 mil toneladas anuais, de acordo com o Instituto de Pesca.

No Rio Grande do Norte, a Camanor realiza todas as etapas da produção, da reprodução em laboratório ao beneficiamento. A empresa tem uma unidade de 119 hectares em Canguaretama, que capta água de estuários, e outra fazenda de 140 hectares em Guamaré, abastecida com água totalmente salgada.

A produção da Camanor chegou a 6.000 toneladas anuais, mas caiu após a chegada do vírus da mancha branca ao Brasil, em 2002. Em 2011, a média de sobrevivência nos tanques passou de 80% para 10%, segundo a diretora de produção e sócia Marisa Sonehara.

Em 2018, a Europa suspendeu as importações de pescados brasileiros. A empresa reduziu a área de produção de mais de 600 hectares para 250 hectares e hoje produz 1.700 toneladas anuais, destinadas ao mercado interno. A rentabilidade, que deveria chegar a 40%, está entre 10% e 15%, conforme Marisa Sonehara; em alguns períodos, a empresa apenas empata.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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