As enchentes provocadas pelas fortes chuvas no Vale do Ribeira, em São Paulo, podem reduzir em 30% a produção de bananas esperada para a região neste ano. O alerta é do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), que ainda não consolidou uma estimativa dos prejuízos.
As áreas de várzea, que concentram os bananais mais produtivos, foram as mais atingidas. Eldorado, Sete Barras e Registro estão entre os municípios com maior número de áreas comprometidas pelas chuvas.
A produção média também deve cair no curto e no longo prazo. O volume de banana nanica tende a ficar mais restrito até o fim de 2026 e abaixo do habitual no primeiro semestre de 2027. Os municípios afetados concentram aproximadamente 60% da área de banana nanica do Vale do Ribeira, enquanto os bananais que precisarem ser replantados levam cerca de um ano para completar o ciclo e começar a produzir.
Danos aos frutos e dificuldade de acesso
Parte dos produtores consultados pelo Cepea deixou de fazer cortes nesta semana porque não conseguiu chegar às áreas produtivas. Os bananais permanecem submersos desde o dia 12 de setembro, e a água atingiu também os cachos.
A permanência das plantas e dos frutos em áreas alagadas prejudica a qualidade e a aparência da banana. Conforme o Cepea, a partir do quinto dia de submersão, a fruta pode amadurecer internamente, embora a casca continue esverdeada. A água suja também deixou lama e outros resíduos nos cachos, exigindo a limpeza dos frutos antes da comercialização, quando houver condições para isso.
Em propriedades sem acesso nesta semana, mas sem registro de danos à produção, o problema provavelmente está ligado às estradas que levam às plantações. Esses caminhos continuam alagados ou foram danificados pelas chuvas, impedindo a chegada dos produtores.
O levantamento do centro de estudos também indica que as áreas localizadas em altitudes maiores não ficaram fora dos impactos.



