Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Agro

Corridas testam biocombustíveis e aproximam automobilismo do agronegócio

Categorias brasileiras e internacionais usam as pistas para desenvolver combustíveis renováveis destinados também a caminhões, máquinas e veículos de rua.

Corridas testam biocombustíveis e aproximam automobilismo do agronegócio
Foto: Divulgação/WEC

O automobilismo de competição vem sendo usado como ambiente de testes para combustíveis sustentáveis, em uma aproximação crescente com cadeias produtivas do agronegócio. A lógica é testar novas tecnologias em condições extremas e, depois, avaliar sua aplicação em veículos de produção.

Para Rogério Gonçalves, diretor de combustíveis da Associação Brasileira de Engenharia Automotiva (AEA), as corridas funcionam como uma vitrine para que os produtos alcancem escala e cheguem às ruas. A diversidade de matérias-primas inclui soja, gordura animal, óleo de cozinha usado, resíduos da vitivinicultura e subprodutos da indústria.

Copa Truck usa combustível derivado do biodiesel

A empresa brasileira Be8 tornou-se fornecedora oficial da Copa Truck. Todas as equipes da competição utilizam o BeVant, produzido por meio da bidestilação do biodiesel. O combustível é fabricado na unidade de Passo Fundo (RS), onde a companhia também produz biodiesel a partir de soja, que representa 70% da matéria-prima, além de gordura animal e óleo de cozinha usado.

A proposta é substituir completamente o diesel em veículos pesados e máquinas agrícolas. A empresa afirma que o produto pode reduzir em até 99% as emissões na comparação com a mistura de 15% de biodiesel no diesel derivado de petróleo.

O contrato entre a Be8 e a Copa Truck prevê quatro temporadas. Segundo Erasmo Carlos Batistella, CEO da companhia, o combustível usado nas corridas é o mesmo comercializado para outros clientes. A exposição da categoria também permite que transportadores, montadoras e concessionárias acompanhem o desempenho da tecnologia.

A Copa Truck reúne fabricantes de caminhões e possui regras para o controle de emissões durante treinos e corridas. O CEO da categoria, Carlos Col, afirma que a mudança reduziu emissões, melhorou a performance e ampliou a aproximação com empresas do agronegócio. Em junho, a ATTO Sementes anunciou o patrocínio da competição.

Etanol está presente nas pistas brasileiras

O uso de biocombustíveis em corridas no Brasil remonta à década de 1970, quando crises do petróleo e a alta dos preços da gasolina levaram o governo a proibir competições nacionais. A alternativa foi o etanol.

Em 7 de setembro de 1979, o Autódromo de Jacarepaguá, no Rio de Janeiro, recebeu o Festival do Álcool, com 13 baterias de carros de diferentes categorias. Pilotos, organizadores e equipes aprovaram a experiência. Em Stock Car e F-1300, porém, os tempos de volta não foram reduzidos em relação à gasolina.

Atualmente, Nascar Brasil, Copa Hyundai HB20, Kartcross, Autocross e Turismocross usam 100% etanol. O Campeonato Brasileiro de Endurance utiliza uma mistura de 50% de gasolina e etanol. Categorias como Stock Car, Porsche Cup e Fórmula 4 seguem a regulamentação que autorizou, em julho, a elevação da mistura para 32%.

Para Felipe Giaffone, piloto da Copa Truck e comentarista de automobilismo dos Canais Globo, as categorias acompanham as tendências da indústria e permitem um desenvolvimento mais intenso antes que as soluções sejam levadas às ruas.

Resíduos agrícolas e industriais entram no desenvolvimento

A Federação Internacional de Automobilismo (FIA) estabeleceu a meta de neutralizar as emissões de carbono de competições e operações até 2030. A entidade considera sustentável um combustível que reduza pelo menos 65% das emissões em todo o ciclo, da produção ao consumo, seja produzido com fontes não alimentícias e possa ser usado em motores convencionais.

A primeira categoria regulada pela FIA a adotar combustível 100% sustentável foi o European Truck Racing, em 2021. Para Thomas Chevaucher, diretor técnico de engenharia da entidade, as competições aceleram a inovação porque ocorrem em ambientes controlados, com carros conduzidos por pilotos profissionais e eventos frequentes.

No World Endurance Championship (WEC), os carros são abastecidos desde 2022 com combustível 100% renovável produzido pela francesa TotalEnergies. A principal matéria-prima inicial eram resíduos da produção de vinho, como bagaços e borras de uva. Neste ano, uma nova versão passou a incluir óleos usados e resíduos de polpa de beterraba, madeira e indústria de papel.

A promessa é de pelo menos 65% menos emissões que o combustível fóssil durante todo o ciclo de vida. O WEC também planeja colocar um Hypercar movido a hidrogênio na pista em 2030.

Híbridos reúnem diferentes rotas tecnológicas

As categorias não adotam uma única solução. Giaffone considera o modelo híbrido uma alternativa promissora, combinando biocombustíveis e eletrificação. Gonçalo Pereira, pesquisador da área de energia da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), também defende essa combinação e compara o etanol a uma bateria líquida: 60 litros equivaleriam a 1 tonelada de bateria metálica.

Rogério Gonçalves avalia, por outro lado, que motores a combustão abastecidos com combustíveis sustentáveis ainda terão espaço por um período prolongado. A Fórmula 1 adotou neste ano um regulamento híbrido com metade da potência à combustão e metade elétrica, mantendo o uso de combustível sustentável.

O presidente da FIA, Mohammad ben Sulayem, defende que os motores V8 voltem até 2031, também com combustíveis sustentáveis. Thomas Chevaucher avalia que eventuais mudanças representam ajustes na tecnologia, sem abandonar a proposta de sustentabilidade.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.