RIO GRANDE DO SUL — A concorrência por lotes de arroz em casca ganhou força nas áreas próximas ao Porto do Rio Grande, onde a demanda internacional segue aquecida. O movimento tem aproximado exportadores e indústrias brasileiras na disputa pela matéria-prima disponível, de acordo com o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A procura externa aumentou porque há pouca oferta de arroz com rendimento inferior a 57% de grãos inteiros, perfil normalmente destinado às exportações. Com isso, compradores internacionais também passaram a buscar lotes com rendimento de 58%, ampliando a competição no mercado gaúcho.
Indústrias voltam às compras
Algumas indústrias intensificaram recentemente a atuação no mercado. Antes, essas empresas davam preferência ao arroz que já estava armazenado em suas próprias estruturas. Agora, passaram a procurar novos lotes para recompor os estoques.
A resistência dos produtores em aceitar os valores oferecidos levou parte dos compradores a reajustar as propostas para assegurar o abastecimento. Segundo os pesquisadores do Cepea, essa movimentação resultou em valorização mais expressiva dos lotes com rendimento de 58% em relação aos produtos de rendimento mais alto.
Embora a presença de vendedores tenha crescido ligeiramente nos últimos dias, a disponibilidade do cereal continua restrita. Produtores com maior capacidade financeira seguem menos dispostos a negociar, na expectativa de novas altas. Já os que precisam reforçar o caixa aumentaram as vendas, inclusive para custear o preparo do solo da safra 2026/27.
A combinação entre oferta limitada, recomposição dos estoques industriais e demanda internacional mantém aquecidas as negociações no Rio Grande do Sul. Nesse cenário, os compradores elevam os valores para conseguir novos lotes, enquanto os produtores avaliam o momento mais favorável para comercializar.



