RIO GRANDE DO SUL — A procura internacional por arroz brasileiro ampliou a concorrência com as indústrias domésticas no mercado gaúcho. A disputa se intensificou nas áreas próximas ao Porto de Rio Grande, onde compradores destinados à exportação passaram a adquirir lotes com 58% de grãos inteiros, além daqueles com rendimento abaixo de 57%, normalmente direcionados ao exterior.
A movimentação ocorre em um cenário de disponibilidade limitada. Na terça-feira (22/9), o indicador Cepea/Irga-RS marcou R$ 81,90 por saca de 50 quilos, com valorização acumulada de 4,50% desde o começo de setembro, conforme o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea).
A restrição é mais significativa nos lotes com rendimento inferior a 57%. Como esses produtos são procurados para exportação, a entrada de compradores externos elevou a competição com as indústrias que buscam matéria-prima na mesma faixa. Com isso, os preços desses lotes reagiram mais do que os de arroz com rendimentos superiores.
Indústrias retomam compras
Algumas indústrias aumentaram a intensidade das aquisições depois de priorizarem, nas últimas semanas, o arroz que já estava armazenado em suas próprias unidades. A necessidade de recompor os estoques levou essas empresas a voltar ao mercado em busca de novos volumes.
A resistência dos produtores aos valores praticados fez os compradores elevarem as ofertas para fechar negócios. A presença de vendedores cresceu ligeiramente nos últimos dias, mas não a ponto de mudar o quadro de oferta restrita no mercado físico.
Entre os produtores, os mais capitalizados continuam aguardando novas altas e seguram parte do produto. Já os que precisam reforçar o caixa vendem com maior frequência, inclusive para financiar o preparo do solo para a safra 2026/27.


