BELO HORIZONTE — O ministro da Agricultura, André de Paula, afirmou nesta terça-feira (22) que o risco de falta de fertilizantes para a safra 2026/27 foi afastado. A declaração ocorreu durante o 15º Congresso Brasileiro do Algodão (CBA), após medidas para diversificar fornecedores internacionais e agilizar a chegada dos insumos aos portos brasileiros.
Acordo com o Marrocos
A estratégia foi reforçada pelos conflitos internacionais que atingiram rotas e fontes tradicionais de fertilizantes. Na semana passada, De Paula integrou uma missão oficial a Angola e Marrocos, que também tratou da produção e do abastecimento desses produtos.
Em Angola, representantes do governo se reuniram com o Grupo Opaia, responsável pelo projeto Amufert, voltado à produção de ureia e amônia. No Marrocos, a comitiva conversou com autoridades e visitou o complexo industrial da OCP Nutricrops, em Jorf Lasfar.
A agenda no país resultou, na sexta-feira, em um memorando de entendimento com a OCP. O documento toma como referência o fornecimento de 3,8 milhões de toneladas de fertilizantes fosfatados a operadores brasileiros em 2026 e 2027. A efetivação das compras dependerá dos termos comerciais definidos entre a companhia marroquina e empresas do Brasil. Conforme o ministro, o volume equivale a cerca de 80% da necessidade de fosfatados calculada pelo governo.
Prioridade nos portos
Em agosto, a Comissão Nacional das Autoridades nos Portos (Conaportos) recomendou que portos públicos dessem tratamento preferencial ao desembarque de fertilizantes destinados à safra 2026/27. A orientação prevê prioridade de atracação, quando as normas de cada terminal permitirem, em até 24 horas após o aviso de chegada da embarcação.
O Ministério da Agricultura informou que aproximadamente 85% dos fertilizantes usados no País são importados. Para reduzir essa dependência, o Plano Nacional de Fertilizantes estabelece a elevação gradual da produção doméstica, com a meta de alcançar entre 45% e 50% da demanda interna até 2050.
De Paula também mencionou o Programa de Desenvolvimento da Indústria de Fertilizantes (Profert), criado neste mês pela Lei 15.496/2026, e a retomada da produção de nitrogenados pela Petrobras. A estratégia apresentada combina novos fornecedores, prioridade operacional nos portos e medidas para ampliar a produção nacional.



