Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Agro

Dependência de fertilizantes coloca política externa no centro das decisões do agro

Exportações e importações ligam o agronegócio às escolhas sobre Mercosul, Brics, Estados Unidos, China e outros parceiros comerciais.

Dependência de fertilizantes coloca política externa no centro das decisões do agro
Foto: Ministério da Economia

A dependência brasileira de fertilizantes importados torna as decisões de política externa relevantes para o planejamento do agronegócio. Mais de 80% dos fertilizantes usados no país vêm do exterior, segundo o Plano Nacional de Fertilizantes. Por isso, estabilidade diplomática, logística internacional e diversificação de fornecedores podem influenciar os custos e a organização da produção.

Exportações concentradas e relações múltiplas

A importância do comércio exterior também aparece nos destinos das vendas. No primeiro semestre de 2026, a China respondeu por 35,1% das exportações brasileiras do agronegócio. A União Europeia ficou com 14,5%, e os Estados Unidos, com 5,7%.

Esses mercados têm interesses comerciais e contextos geopolíticos diferentes. A China é o principal destino das exportações do setor. Os Estados Unidos têm peso em tecnologia, investimentos e comércio internacional. Já a União Europeia, além de receber produtos brasileiros, mantém exigências comerciais, ambientais e regulatórias próprias. Países da Ásia, do Oriente Médio e de outras regiões também vêm ganhando espaço na estratégia de diversificação.

Nesse cenário, o agronegócio atua simultaneamente em várias frentes. Mercosul, Brics e acordos bilaterais cumprem funções distintas, e a política externa não precisa ser organizada apenas pela escolha de um parceiro em detrimento de outro.

Propostas em disputa

Na eleição presidencial de 2026, Luiz Inácio Lula da Silva apresenta uma estratégia de fortalecimento do multilateralismo, do Mercosul, do Brics e das relações com países do Sul Global. A China aparece como parceira relevante nessa configuração.

Flávio Bolsonaro defende maior aproximação com os Estados Unidos, a retomada do processo de adesão à OCDE e maior abertura comercial. O programa registrado no TSE prioriza a OCDE e não menciona diretamente o Mercosul ou o Brics. Declarações posteriores do candidato detalharam posições sobre esses agrupamentos.

Ronaldo Caiado propõe mais flexibilidade nas relações comerciais e no funcionamento do Mercosul. Romeu Zema defende a saída do Brics, maior abertura comercial e mudanças na configuração do bloco sul-americano. Renan Santos sustenta uma atuação internacional pragmática, com a manutenção de relações com diferentes parceiros.

Previsibilidade para produzir e vender

As propostas são apresentadas enquanto o comércio internacional brasileiro convive com novas tensões. Em 2026, medidas comerciais adotadas pelos Estados Unidos passaram a atingir parte das exportações brasileiras. O governo brasileiro acionou mecanismos de diálogo bilateral e de solução de controvérsias.

Para o setor, a discussão não se resume ao nome dos blocos ou ao alinhamento diplomático de cada candidatura. O ponto central é como cada desenho de política externa poderá se transformar em condições concretas para produzir e comercializar.

O produtor toma decisões meses antes da colheita, enquanto a indústria faz investimentos com prazos ainda mais longos. Exportadores precisam conhecer regras sanitárias, tarifárias e regulatórias para desenvolver mercados. Alterações bruscas no ambiente internacional podem afetar desde o preço de um fertilizante até a possibilidade de embarcar determinado produto.

A política externa não elimina os riscos geopolíticos, mas pode influenciar a capacidade do Brasil de manter canais de negociação, ampliar destinos, administrar conflitos comerciais e reduzir concentrações excessivas. Em 2027, o desafio para o agro será acompanhar se o país conseguirá preservar relações estratégicas, ampliar mercados e oferecer previsibilidade dialogando com diferentes parceiros ao mesmo tempo.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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