A prevenção nas propriedades rurais será uma das principais frentes para reduzir o risco de incêndios no Centro-Oeste durante os próximos meses, período em que a intensificação do El Niño pode favorecer a propagação das chamas. O governo federal monitora 399 municípios da região, distribuídos entre os níveis vermelho, laranja e amarelo de alerta.
Entre as medidas recomendadas estão a manutenção de aceiros, o acompanhamento das condições meteorológicas e o respeito aos períodos de proibição do uso do fogo. Também é necessário proteger nascentes, matas ciliares, reservas legais e áreas de vegetação nativa que estejam mais expostas a fontes de ignição.
Ane Alencar, membro da Coalizão Brasil Clima, Florestas e Agricultura e diretora de Ciência do Instituto de Pesquisa Ambiental da Amazônia (Ipam), afirma que o período de seca aumenta a possibilidade de grandes incêndios, especialmente no Cerrado e na Amazônia. “O país entra agora no período em que o risco de grandes incêndios se intensifica”, disse.
Municípios e recursos previstos
Do total monitorado, 23 municípios estão em alerta vermelho, 154 em laranja e 222 em amarelo. A área inclui porções de Cerrado, Pantanal e Amazônia, biomas vulneráveis ao avanço do fogo durante a estiagem. Setembro e outubro concentram a maior atenção aos efeitos do fenômeno.
O plano federal de prevenção prevê R$ 337 milhões para ações de prevenção e combate aos incêndios florestais. Outros R$ 527 milhões, do Fundo Amazônia, serão usados na compra de equipamentos para os Corpos de Bombeiros dos estados das regiões Norte e Centro-Oeste.
Alencar avalia que o reforço financeiro representa um avanço, mas diz que o controle dos incêndios também dependerá das condições meteorológicas e da continuidade das políticas de prevenção. Em 2025, a estação chuvosa mais prolongada reduziu o período favorável às queimadas. Em 2026, a capacidade das estruturas criadas nos últimos anos será testada diante de um cenário menos favorável.
Estrutura de prevenção
Parte da organização atual começou a ser formada em 2024, com a instituição da Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo (PNMIF). A política pretende ampliar a articulação entre órgãos de prevenção e combate, mas sua efetividade, segundo Alencar, dependerá da expansão para estados e municípios, com orçamento, equipes e planos territoriais.
A especialista também defende o mapeamento antecipado das áreas mais vulneráveis, para que equipes, equipamentos e recursos sejam direcionados antes do período crítico da seca. A recuperação de áreas degradadas e a proteção da vegetação nativa integram essa estratégia, pois ajudam a tornar a paisagem mais resistente ao avanço das chamas.
Para os produtores, a orientação é planejar qualquer uso autorizado do fogo, verificar as condições meteorológicas antes de operações de risco e manter a infraestrutura de proteção em condições adequadas. A redução do desmatamento e da degradação das florestas também é apontada como parte da prevenção.



