A visita do papa Leão XIV à França mobiliza brasileiros católicos que vivem na região de Paris. Neste sábado (26), são esperados 600 mil fiéis para a missa na Praça da Concórdia e na avenida Champs-Élysées, em um dos principais momentos da passagem do pontífice pela capital francesa.
A viagem é a primeira visita de Estado de um papa à França em 18 anos. Entre os brasileiros, a procura por informações e inscrições para os eventos aumentou nas últimas semanas. Paulo César Santana, organizador do grupo de oração Embaixadores de Cristo, estima que cerca de 100 integrantes participarão da missa, além de brasileiros que frequentam paróquias francesas próximas de suas casas.
O padre Wellington Santos Pires, conhecido como père Welly e titular da Paróquia Saint-Saturnin, avalia que a visita pode deixar lembranças duradouras e estimular reflexões sobre a vida religiosa. Ele compara a expectativa atual às memórias da Jornada Mundial da Juventude de 1997, quando fiéis franceses acompanharam a presença do papa João Paulo II.
Fé em português e vínculos com o Brasil
Paulo César e a esposa, Fernanda, organizam há 11 anos o grupo Embaixadores de Cristo, na Capelania Brasileira de Paris, administrada pelo padre Júlio Peixoto na Paróquia Sainte Marie du Plant, em Champigny-sur-Marne. A iniciativa surgiu depois das dificuldades enfrentadas por Paulo nos primeiros anos de adaptação à França, quando ainda não dominava o idioma.
Além das reuniões de oração, o grupo presta auxílio social com cestas básicas e apoio a pessoas recém-chegadas ou que passam por dificuldades. Os encontros em português ocorrem semanalmente, às quartas-feiras, com participação variável ao longo do ano.
As missas dominicais em português na Capelania Brasileira costumam ficar lotadas. Para Paulo, esse momento permite que os imigrantes se reúnam na própria língua e preservem uma ligação simbólica com o país de origem. “O meu domingo é o dia de eu estar no Brasil”, afirma.
Padre Welly diz que a língua facilita a relação dos fiéis com a religião, mas defende que a comunidade também mantenha abertura para a realidade francesa. Segundo ele, o desafio é não se fechar às experiências do país onde os imigrantes vivem.
Uma visita com dimensão histórica
Francisco esteve na França em três ocasiões durante o pontificado, mas nenhuma delas foi uma visita de Estado. Antes dele, Bento XVI esteve no país em 2008. João Paulo II visitou a França sete vezes, o maior número de viagens internacionais do pontífice fora da Polônia.
A Igreja Católica francesa elevou para cerca de € 27 milhões o orçamento logístico destinado à recepção de peregrinos e visitantes. O interesse pela passagem de Leão XIV também está relacionado ao fato de ele falar francês e fazer referências à espiritualidade do país e aos desafios atuais da Igreja Católica francesa.



