PARIS — O papa Leão 14 iniciou nesta sexta-feira (25/09) uma visita oficial à França, a primeira de um pontífice ao país em 18 anos. Recebido no aeroporto de Paris-Orly pelo presidente Emmanuel Macron, por Brigitte Macron e por crianças, o papa terá uma agenda de quatro dias em Paris, Lourdes e Metz.
A viagem ocorre cinco anos após a divulgação de um relatório sobre abusos cometidos por padres contra crianças na França. O documento de 2021 estimou que cerca de 330 mil crianças sofreram abusos praticados por membros do clero católico e por líderes leigos ao longo de sete décadas. A Igreja adotou medidas de compensação e proteção, mas sobreviventes continuam cobrando responsabilidade dos líderes religiosos.
Encontro com vítimas e agenda em Paris
Leão 14 deverá conversar no domingo, em Lourdes, com sete vítimas de abusos cometidos por integrantes do clero. Entre elas estará um ex-aluno, hoje com 80 anos, de um internato católico da região que recebeu denúncias de abusos físicos e sexuais em larga escala.
Em Paris, o papa se reunirá com autoridades francesas no Palácio do Eliseu e visitará a Unesco. A organização enfrenta dificuldades orçamentárias após a saída dos Estados Unidos, determinada pelo presidente Donald Trump em 2025. Na entidade, Leão deve abordar os riscos da inteligência artificial e defender uma regulamentação internacional.
O porta-voz do Vaticano, Matteo Bruni, afirmou que o pontífice deverá reiterar a necessidade de desacelerar o desenvolvimento da IA e discutir questões relacionadas ao que torna os seres humanos verdadeiramente humanos. Leão também conduzirá uma oração na Catedral de Notre-Dame, na primeira visita papal ao local desde o incêndio de 2019.
Cerca de 600 mil pessoas se inscreveram para a missa campal de sábado, nas proximidades da Avenida Champs-Élysées.
Lourdes e Metz
Em Lourdes, o papa celebrará uma missa em um campo próximo à gruta associada à aparição da Virgem Maria a Bernadette Soubirous, em 1858. O santuário também abriga mosaicos do padre Marko Rupnik, acusado de abuso sexual por mais de 20 mulheres. O bispo Jean-Marc Micas determinou que as obras fossem cobertas durante a visita.
A viagem terminará em Metz, cidade próxima da fronteira com a Alemanha e ligada à trajetória de Robert Schuman, um dos fundadores da União Europeia. Leão fará um discurso sobre as raízes da Europa para a paz e a unidade. O cardeal Jean-Claude Hollerich disse que o papa deverá convocar os líderes europeus a serem “incansáveis construtores e promotores da paz”.
A França tem cerca de 69 milhões de habitantes, mas apenas aproximadamente 5% frequentam regularmente a Igreja Católica, segundo uma pesquisa realizada no ano passado. Ao mesmo tempo, os batismos de adultos estão aumentando, enquanto os batismos infantis diminuíram nos últimos anos.



