BRASÍLIA — A adoção da gasolina E32, que contém 32% de etanol anidro, reacendeu a discussão sobre a venda de combustíveis com menor mistura alcoólica no Brasil. O produto passou a ser comercializado nos postos em 2026 e provocou contestação entre proprietários de veículos antigos, modelos de coleção e carros sem tecnologia flex.
Projetos em tramitação na capital federal propõem obrigar os postos a disponibilizar alternativas para veículos que não aceitam diferentes proporções de etanol. Essa frota é estimada em cerca de 30 milhões de unidades no país.
Uma das iniciativas é a Ideia Legislativa 227319, apresentada no portal e-Cidadania, que já soma mais de 20 mil assinaturas. A proposta prevê a comercialização das versões E0, sem etanol, e E10, com no máximo 10% do biocombustível. O modelo sugerido é inspirado na oferta existente nos Estados Unidos.
Outra medida é o Projeto de Lei Complementar 249/2026, de autoria do deputado Messias Donato (União-ES). O texto autoriza os Estados a permitir a venda de gasolina E0 e E10 conforme a demanda local.
Por que o etanol é misturado à gasolina
A mistura é adotada no país desde a década de 1930, quando passou a ser usada para diminuir a dependência das importações de petróleo e apoiar o setor sucroalcooleiro. A política ganhou escala global nos anos 1970, com a criação do Programa Nacional do Álcool (Proálcool), desenvolvido para reduzir os efeitos das crises mundiais do petróleo sobre o orçamento nacional.
Além da função econômica, o etanol anidro aumenta a octanagem como antidetonante natural e substitui aditivos tóxicos, como o chumbo tetraetila. O biocombustível também contribui para reduzir emissões de monóxido de carbono e gases de efeito estufa.



