Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Safra de soja 2026/27 terá câmbio, clima e custos no centro das decisões

Pesquisador do Cepea aponta riscos do El Niño, do câmbio e dos combustíveis para a margem dos produtores de soja.

Safra de soja 2026/27 terá câmbio, clima e custos no centro das decisões

A rentabilidade da soja na safra 2026/27 deve ficar mais pressionada, na avaliação de Mauro Osaki, pesquisador do Cepea. Entre os fatores com maior peso sobre o resultado financeiro estão o câmbio, os efeitos do El Niño e o impacto dos conflitos geopolíticos nos custos de produção.

A cotação próxima de R$ 5,20 é usada atualmente como referência pelo mercado, enquanto algumas projeções chegam a R$ 5,30. Osaki afirma que o comportamento da moeda ainda dependerá do cenário político e econômico após as eleições de outubro. “Poderíamos colocar esses três como os de maior peso hoje”, disse o pesquisador.

Clima amplia risco para a produção

O El Niño previsto para a temporada é tratado como um dos principais pontos de atenção. A expectativa é de chuvas acima do normal no Sul e maior irregularidade no Centro-Oeste, configuração que pode elevar os riscos para as lavouras.

Osaki citou diferenças em relação a outros ciclos. Em 2015/16, um El Niño forte contribuiu para perdas no Centro-Oeste. Em 2023/24, temperaturas elevadas afetaram as plantações e provocaram problemas como a escaldadura. Conforme a avaliação do pesquisador, períodos sob influência do fenômeno costumam estar relacionados a perdas de 7% a 14% na produção.

O escalonamento do plantio é uma das estratégias recomendadas para evitar a concentração das operações em uma única janela. “O produtor deve escalonar o plantio, para não deixar tudo concentrado numa época só”, afirmou.

Diesel e fertilizantes pressionam despesas

Os conflitos geopolíticos e os ataques a estruturas de refino também aumentam a preocupação com a oferta de derivados de petróleo, especialmente o diesel. O combustível é mais demandado no plantio e durante a colheita, entre dezembro e março/abril.

A pressão pode atingir ainda o enxofre e o ácido sulfúrico, usados na produção de fertilizantes fosfatados como MAP, superfosfato triplo e superfosfato simples.

Em Sorriso (MT), a quantidade necessária para cobrir o custo operacional efetivo deve subir de 52 para 56 sacas por hectare na comparação entre 2025/26 e 2026/27. No oeste do Paraná, o indicador passa de 41,8 para 45 sacas por hectare.

Dados do Instituto Mato-grossense de Economia Agropecuária (Imea) apontam custo de produção estimado em R$ 4.315,29 por hectare em Mato Grosso, com alta de 3,21%. O ponto de equilíbrio avança 9,13%.

Plantio começa acima do ritmo anterior

Paraná e São Paulo iniciaram o calendário em 1º de setembro. Em Mato Grosso, a liberação ocorreu em 7 de setembro. Mato Grosso do Sul começa em 16 de setembro, Goiás em 25 de setembro, e Minas Gerais e Distrito Federal em 1º de outubro.

Na semana inicial dos trabalhos, 0,05% da área projetada estava plantada, contra 0,02% no mesmo momento do ano passado. O avanço ocorre enquanto Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul podem registrar volumes maiores de chuva. No Matopiba, a regularização das precipitações é esperada apenas para novembro.

Projeções indicam produção recorde

As primeiras estimativas de consultorias privadas apontam uma nova safra recorde. A StoneX projeta 183,5 milhões de toneladas; a Datagro, 185,6 milhões; e a Hedgepoint, 181,7 milhões de toneladas. A primeira estimativa da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) está prevista para o começo de outubro.

Para Osaki, outubro concentrará sinais importantes para o produtor: o resultado das eleições, o avanço do plantio no Centro-Oeste e a evolução do mercado internacional de combustíveis e fertilizantes. Até que haja mais clareza, a recomendação é planejar as operações de forma gradual, proteger a produção nas oportunidades disponíveis e evitar comprometer a margem.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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