Produtores brasileiros iniciaram o plantio da soja para a safra 2026/27 sob pressão dos custos elevados e da previsão de um El Niño forte. Apesar das incertezas, consultorias mantêm a expectativa de uma colheita recorde, sustentada principalmente pelo aumento da produtividade.
Em Canoinhas, no norte de Santa Catarina, Charles Breda pretende ampliar em 7% a área cultivada, que atualmente soma 1.400 hectares. Para enfrentar a possibilidade de chuvas acima da média na Região Sul, ele reforçou a cobertura e a descompactação do solo, medidas voltadas a reduzir erosões e alagamentos.
Breda também aposta no ganho de produtividade para compensar despesas maiores. Na avaliação dele, como o produtor tem pouco controle sobre custos e preços de venda, o rendimento por hectare pode ajudar a diluir o custo da lavoura.
Em Balsas, no Maranhão, Lucas Goulart decidiu não aumentar a área de 12 mil hectares destinada à soja. A alta dos adubos fosfatados elevou os gastos, e o preço do insumo chegou a US$ 800 a tonelada neste ano. Com isso, o produtor mudou o planejamento e usará, pela primeira vez depois de 20 anos, uma reserva de adubo nas áreas consolidadas.
No Matopiba, formado por Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, a previsão de irregularidade nas chuvas mantém os agricultores em alerta. Goulart afirma que a produtividade média de sua operação é de 70 sacas por hectare, enquanto parte dos produtores da região obtém 55 sacas, nível próximo ao custo de produção.
A AgResource Brasil projeta 48,7 milhões de hectares plantados, estáveis ante a safra 2025/26, e produção de 184,1 milhões de toneladas, alta de 2% sobre o ciclo anterior. Para Raphael Mandarino, diretor da empresa, crédito mais caro e maior restrição das instituições financeiras tornam a temporada especialmente desafiadora.
A StoneX estima produção de 183,5 milhões de toneladas, crescimento de 0,5%, e área de 49,48 milhões de hectares, próxima dos 49,10 milhões plantados em 2025/26. Raphael Bulascoschi, analista da empresa, diz que pode haver atraso no plantio no Norte, mas que, até o momento, o clima não compromete o potencial da safra. Em Mato Grosso, ele cita chuvas recentes, ainda insuficientes, mas com novos episódios esperados para este mês.



