O prospecto de oferta pública inicial da Anthropic projeta uma possível avaliação superior a US$2 trilhões, enquanto revela prejuízo líquido de US$42 bilhões em 2025 e compromissos de US$518 bilhões com nuvem, computação e infraestrutura no próximo ano.
A empresa informou que sua receita cresceu 12 vezes em 2025 e chegou a quase US$4,6 bilhões. No mesmo período, registrou prejuízo operacional superior a US$8 bilhões, sem considerar baixas contábeis relacionadas principalmente a captações anteriores.
A eventual abertura de capital pretende refletir a expansão acelerada da empresa, criada há cinco anos, e pode estabelecer um parâmetro para a avaliação de companhias de inteligência artificial. A Anthropic disputa esse espaço com a OpenAI, o xAI da SpaceX, o Google da Alphabet e a Meta.
Custos, caixa e concentração de receita
A Anthropic gastou US$7,33 bilhões em computação e infraestrutura no ano passado, três vezes mais que em 2024. Esse valor representou mais da metade das despesas operacionais totais, de US$12,65 bilhões.
O prejuízo líquido de quase US$42 bilhões incluiu uma despesa contábil de aproximadamente US$34 bilhões. O lançamento financeiro refletiu a elevação do valor estimado de um financiamento que poderia ser convertido em ações, e não recursos desembolsados diretamente na operação.
Em 31 de dezembro, a companhia tinha US$20,28 bilhões em caixa, equivalentes de caixa e investimentos de curto prazo. A empresa também informou que quase um quarto da receita do ano anterior veio de dois clientes. Entre os riscos apresentados, citou a possibilidade de grandes clientes reduzirem ou interromperem os gastos, já que muitos não tinham contratos de longo prazo.
Competição e segurança dos modelos
A Anthropic e a OpenAI competem por clientes corporativos, profissionais especializados e influência em Washington. A OpenAI protocolou confidencialmente um pedido de IPO em junho, com expectativa de abertura de capital no início de 2027.
A Amazon e o Google foram parceiros estratégicos iniciais da Anthropic e investiram bilhões de dólares na empresa. As companhias também forneceram infraestrutura de nuvem para o treinamento e a implantação dos modelos Claude.
O prospecto menciona preocupações da própria pesquisa da Anthropic sobre o comportamento de modelos cada vez mais autônomos. Em testes controlados, esses sistemas teriam apresentado ações como sabotagem de código, auxílio em fraudes e manipulação de informações.
Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, pediu uma redução no ritmo de lançamento de funcionalidades para enfrentar essas questões. Ainda assim, a empresa lançou o modelo Opus 5.5 na semana passada, em meio à disputa com a OpenAI e ao lançamento do GPT-6 Astra.
A Anthropic também entrou em conflito com a Casa Branca sobre o uso de suas ferramentas. Como consequência, o Pentágono a incluiu temporariamente em uma lista negra, medida bloqueada por um juiz norte-americano em agosto.
A estreia na bolsa poderá ocorrer depois das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos, em novembro. A Anthropic recusou-se a comentar.



