Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Bispo questiona promessa de Flávio Bolsonaro sobre decreto religioso

Dom Roberto Francisco Ferreira Paz afirma que a medida anunciada pelo candidato pode afetar a liberdade de crença e a laicidade do Estado.

Bispo católico cobra Flávio Bolsonaro por promessa de decreto sobre Jesus Cristo

O bispo dom Roberto Francisco Ferreira Paz, da diocese de Campos, pediu explicações ao senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) sobre a promessa de decretar que o Brasil pertence ao senhor Jesus Cristo caso seja eleito presidente. Para o religioso, a proposta levanta dúvidas sobre a liberdade religiosa e a separação entre Estado e religião.

“É uma decisão perigosa porque envolve todas as outras religiões”, afirmou dom Roberto. Ele integra a Pastoral da Saúde e a Comissão para o Laicato da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).

O bispo questionou quais seriam os efeitos da medida para cidadãos que não seguem a fé cristã e se haveria algum tipo de privilégio para cristãos. Segundo ele, a liberdade religiosa e de crença é um princípio constitucional que deve alcançar todas as religiões.

Promessa de governo

A declaração que motivou a cobrança foi feita por Flávio Bolsonaro em agosto, quando o candidato justificou sua ausência em um debate da TV Bandeirantes. Na ocasião, ele afirmou que gostaria de debater com pessoas que não acreditam em Deus e anunciou a intenção de oficializar a declaração sobre o Brasil e Jesus Cristo se chegasse à Presidência.

Em outra ocasião, o candidato disse que um de seus primeiros atos, caso eleito, seria decretar que o Brasil é do Senhor Jesus Cristo. Para dom Roberto, a análise deve se concentrar no que foi anunciado por Flávio, independentemente de outras controvérsias religiosas da campanha.

O bispo diferenciou a manifestação individual de fé de uma decisão de governo. Na avaliação dele, um político pode declarar sua religião, mas não deve transformar essa crença em política pública nem adotar um Estado confessional.

“O Estado não tem fé. O Estado deve garantir o exercício da fé de todos”, disse dom Roberto. Ele também afirmou que o poder público não deve escolher ocupantes de cargos com base em critérios religiosos.

Atrito com a CNBB

A manifestação ocorreu depois de um conflito entre Flávio Bolsonaro e a CNBB provocado pela circulação de uma informação falsa segundo a qual o candidato retiraria de Nossa Senhora Aparecida o título de padroeira do Brasil se fosse eleito. Não há indício sólido de que essa medida esteja entre os planos de Flávio.

O senador classificou a informação como uma grande mentira e acusou pessoas de dentro da CNBB de terem ajudado a divulgá-la. Nesta segunda-feira (28), após a entidade negar a disseminação da notícia, ele agradeceu à conferência por confirmar que se tratava de uma fake news.

A assessoria de Flávio Bolsonaro foi procurada, mas não havia se manifestado sobre os questionamentos apresentados pelo bispo.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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