Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Brasil

Brasil registra 524 tornados em nove anos, com concentração no Sul

Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina reuniram 43% dos registros, enquanto supercélulas foram mais comuns na região.

Brasil registra 524 tornados em nove anos, com concentração no Sul
Foto: Infográfico/g1

O Brasil registrou 524 tornados entre julho de 2018 e agosto de 2026, conforme levantamento do Prevots, projeto mantido por pesquisadores da Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), da Universidade de Oklahoma, do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Instituto Mineiro de Gestão das Águas (IGAM). A maior concentração ocorreu no Sul do país.

Paraná, Rio Grande do Sul e Santa Catarina somaram 227 ocorrências, o equivalente a 43% dos registros nacionais. O Rio Grande do Sul teve 93 casos, seguido pelo Paraná, com 81, e por Santa Catarina, com 53. São Paulo aparece logo depois, com 90 registros.

Em 2026, foram identificados 86 tornados até agosto. O número corresponde a 58% das 148 ocorrências registradas em todo o ano de 2025. O país não tem um banco de dados oficial dedicado exclusivamente a esses fenômenos.

Por que o Sul concentra os casos

A combinação de ar quente e úmido vindo da Amazônia com ar frio e seco originado na Argentina intensifica os ventos conforme a altitude aumenta. Esse processo é chamado de cisalhamento e pode favorecer a formação de tornados.

Ernani Nascimento, doutor em Meteorologia pela Universidade de Oklahoma e pesquisador do INPE, explica que os chamados rios voadores transportam calor e umidade até o Sul. “Se você imaginar esse jato como um rio, é como se esse rio, que está trazendo ar quente e úmido, desembocasse no Sul do Brasil”, afirmou.

A mesma combinação de fatores também alcança áreas do Centro-Sul, como São Paulo e Mato Grosso do Sul, embora com menor frequência. No ranking municipal, Sarandi e Guaíba, no Rio Grande do Sul, e Dourados, no Mato Grosso do Sul, aparecem empatados na liderança, com nove registros cada desde 2018. Horizontina, no Rio Grande do Sul, Xanxerê, em Santa Catarina, e Ananindeua, no Pará, tiveram oito ocorrências. Corbélia, no Paraná, Cerqueira César, em São Paulo, e Salvador, na Bahia, registraram sete casos; Guarapuava, no Paraná, teve seis.

No ano passado, Rio Bonito do Iguaçu, no Paraná, foi atingida por um tornado de categoria F4. Seis pessoas morreram.

Intensidade e identificação

Mais da metade dos tornados registrados no Sul foi associada a supercélulas, tempestades com rotação própria e maior potencial destrutivo. Na classificação nacional, as trombas d’água e terrestres responderam por 58% dos casos, enquanto as supercélulas representaram 27%.

O levantamento contabilizou 142 casos intensos, associados a supercélulas; 78 de intensidade média, ligados a linhas de instabilidade; e 304 de baixa intensidade, classificados como trombas d’água ou terrestres.

Os pesquisadores reúnem relatos de pessoas, informações divulgadas nas redes sociais e notícias sobre possíveis ocorrências. Depois, comparam os dados com imagens de satélite ambiental, que podem mostrar marcas deixadas pelo fenômeno na vegetação. A confirmação do registro considera o local, o horário aproximado, o rastro de danos e, em alguns casos, a intensidade.

Limites da previsão

É possível indicar, com até 24 horas de antecedência, regiões com condições para tempestades capazes de gerar tornados. A definição do ponto exato e do horário, porém, só ganha precisão quando a tempestade já está em andamento.

Tornados têm menos de um quilômetro de diâmetro e raramente duram mais de meia hora. Por isso, a janela de previsão é curta. Radares meteorológicos conseguem identificar sinais de rotação e, quando esse padrão se intensifica, indicar áreas que podem ser atingidas nos 30 a 45 minutos seguintes.

O Brasil possui radares meteorológicos, incluindo equipamentos de dupla polarização. Segundo Ernani, o INPE treina previsores para reconhecer padrões associados ao chamado modo tornádico, e há casos documentados em que radares brasileiros captaram essas informações.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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