Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Pesquisadores catalogam 756 tornados no Brasil e preparam observatório no Paraná

Levantamento reúne ocorrências entre 1927 e 2025; áreas rurais concentraram a maior parte dos casos com localização registrada.

Pesquisadores catalogam 756 tornados no Brasil e preparam observatório no Paraná
Foto: Karin Hornes/Arquivo pessoal

Pesquisadores da Universidade Estadual de Ponta Grossa (UEPG) catalogaram 756 tornados registrados no Brasil entre 1927 e 2025. O levantamento indica que as áreas rurais foram as mais atingidas entre os casos cuja localização foi identificada. A universidade prepara o lançamento do Observatório de Tornados do Paraná, plataforma que deve ficar disponível em outubro, segundo a professora Karin Hornes, do Departamento de Geociências da instituição.

O país ainda não tem um banco de dados oficial dedicado às ocorrências de tornados. Dos eventos reunidos pelas pesquisadoras, 207 aconteceram em áreas rurais, 199 em áreas urbanas e 71 em locais de transição entre os dois tipos de área. Em 279 casos, não foi possível registrar a localização exata.

Registros e impactos

Um dos episódios mais graves ocorreu em Palmas, na divisa entre Paraná e Santa Catarina, em 1959. A estimativa é de que o tornado tenha deixado mais de 90 mortos, incluindo 35 pessoas na Fazenda Fortaleza.

Em 2026, o Paraná registrou 13 tornados, conforme dados do Sistema de Tecnologia e Monitoramento Ambiental (Simepar). Em praticamente todos os episódios, áreas rurais dos municípios foram atingidas. A equipe da UEPG visita os locais afetados para documentar os danos com fotos, vídeos e depoimentos de vítimas.

Em Piraí do Sul (PR), um tornado atingiu a área rural em 8 de agosto, com ventos acima de 330 km/h, de acordo com o Simepar. O evento afetou 45 casas e provocou prejuízo de R$ 10 milhões para produtores rurais da região.

Karin Hornes afirma que o registro das perdas pode ajudar no acesso a recursos, auxílios e seguros. “Há situações em que as pessoas perdem tudo”, disse a professora.

Orientações para propriedades rurais

Os pesquisadores recomendam que casas, granjas, estábulos, espaços de confinamento e leiterias sejam planejados com estruturas reforçadas. A instalação de geradores em locais adequados também é indicada, porque o fornecimento de energia elétrica é afetado na maioria das ocorrências.

Outra orientação é considerar a construção de porões reforçados em áreas sujeitas a vendavais e tornados. Pessoas surpreendidas pelo fenômeno em campo aberto devem ficar abaixadas e, se possível, em posição fetal, longe de postes e árvores.

A preparação deve levar em conta também a proteção dos animais. Para Karin, propriedades rurais precisam ser organizadas antes dos eventos extremos, já que a resposta nesses locais é diferente da adotada em áreas urbanas.

Áreas mais propícias

Depois das chamadas pradarias centrais norte-americanas, a América do Sul é apontada pela pesquisadora como a segunda região mais favorável à formação de tornados. Argentina, Paraguai e parte do Sul do Brasil estão entre as áreas mais suscetíveis. No país, o Rio Grande do Sul aparece como o estado mais propício, seguido por Paraná e Santa Catarina.

Segundo Karin, o encontro de massas de ar frio com ar quente e úmido pode gerar chuvas e tempestades associadas à formação de tornados. O observatório deverá reunir dados, indicadores e pesquisas para ampliar o acesso às informações e também poderá apoiar ações de extensão da UEPG.

O grupo defende maior aproximação entre universidades e órgãos públicos responsáveis pela previsão do tempo e pelo monitoramento climático. Entre os parceiros está a Universidade de Oklahoma, que atua em conjunto com a Administração Nacional Oceânica e Atmosférica dos EUA (Noaa). A análise dos eventos usa rastros retrógrados de imagens de satélites, método que, segundo a equipe, demanda mais tempo que o monitoramento oficial.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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