Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Declaração do Brics abre espaço para diálogo entre Irã e Emirados

Adesão conjunta a texto que pede moderação acompanha conversa entre os líderes e sinaliza tentativa de reduzir tensões regionais.

Declaração do Brics abre espaço para diálogo entre Irã e Emirados
Foto: DW/Deutsche Welle

A adesão do Irã e dos Emirados Árabes Unidos a uma declaração conjunta do Brics marcou um sinal de aproximação entre os dois países, que se afastaram após o início da guerra no Oriente Médio. O documento, aprovado no sábado (12/09), pede moderação no conflito e não atribui responsabilidade nominal a nenhum país.

Um dia antes, o presidente iraniano Massoud Pezeshkian se reuniu na Índia com o xeque Khaled Bin Mohamed Bin Zayed Al Nahyan, príncipe herdeiro de Abu Dhabi. Ao comentar o encontro neste domingo (13/09), Pezeshkian afirmou que houve uma troca construtiva, a primeira desde o início da guerra e dos incidentes no Golfo Pérsico.

“Ficou combinado que viraríamos a página, olharíamos para o futuro e o construiríamos juntos”, disse o presidente do Irã.

Conversa sobre tensões regionais

A assessoria de imprensa de Abu Dhabi informou, na rede social X, que os líderes trataram de questões regionais e internacionais, da redução das tensões, da estabilidade e de iniciativas voltadas à paz e ao desenvolvimento. Não foi informado nenhum resultado concreto das discussões.

As relações entre Teerã e os Emirados Árabes Unidos pioraram depois que ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, em fevereiro, deram início à guerra no Oriente Médio. Em retaliação, o Irã atacou aliados dos Estados Unidos na região, e os Emirados Árabes foram os mais afetados.

Em agosto, os Emirados Árabes anunciaram a suspensão das relações comerciais e financeiras com o Irã. Dubai, maior cidade dos Emirados Árabes Unidos, abriga uma comunidade iraniana estabelecida e é uma fonte importante de sustento econômico para o Irã, afetado por sanções dos Estados Unidos e da comunidade internacional.

Pezeshkian também afirmou que a guerra impede o acesso da população a alimentos e medicamentos. A inflação anual no Irã chegou a 89% em agosto, enquanto a alta no setor de alimentos e bebidas atingiu 127,5%.

Declaração do bloco

O texto do Brics tem 45 páginas e dedica um parágrafo à guerra no Irã. A declaração manifesta profunda preocupação com a escalada no Oriente Médio e pede máxima moderação. A adesão dos dois países representa um avanço em relação a maio, quando não houve consenso para um documento conjunto por causa do conflito.

A guerra envolve diretamente três integrantes do bloco: Irã, Emirados Árabes Unidos e Arábia Saudita, posicionados em lados opostos do conflito. A cúpula também reúne o presidente da China, Xi Jinping, o presidente da Rússia, Vladimir Putin, e o primeiro-ministro da Índia, Narendra Modi. O Brasil é representado pelo ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira.

O Brics foi criado em 2009 por Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Depois, incorporou Egito, Etiópia e Indonésia, além de Irã e Emirados Árabes Unidos. Organizadores e diplomatas concentram esforços para superar as divergências entre Teerã e Abu Dhabi enquanto Estados Unidos e Irã retomam ataques recíprocos em uma guerra que já dura seis meses.

Divergências entre China e Índia

A cúpula também expõe disputas internas que vão além do conflito no Oriente Médio. A viagem de Xi Jinping à Índia foi a primeira em sete anos e incluiu uma reunião com Modi. O encontro faz parte do processo de normalização das relações entre os dois países, iniciado em 2024. A China assumirá a presidência do Brics em 2027.

As relações sino-indianas ficaram congeladas após um confronto mortal na fronteira do Himalaia, em 2020. Embora os dois governos defendam um mundo mais multipolar e menor domínio ocidental sobre o sistema financeiro global, suas estratégias são diferentes.

A China prioriza a disputa com Washington, enquanto a Índia mantém uma política de alinhamentos múltiplos e autonomia estratégica, com relações com Rússia, Estados Unidos e União Europeia. A desconfiança permanece por causa da fronteira disputada, da influência na Ásia e do déficit comercial indiano com a China.

Pequim foi decisiva para ampliar o Brics de cinco para 11 membros e pretende aprofundar a cooperação do grupo em tecnologias, indústrias e cadeias de abastecimento. A Índia também quer ampliar a voz do Sul Global, mas se opõe à transformação do bloco em uma aliança antiocidental liderada pela China.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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