Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Índia tenta aproximar rivais e limitar tensões na cúpula do Brics

Encontro em Nova Délhi reunirá líderes esperados da China e da Rússia, mas enfrenta divergências entre os 11 integrantes.

Índia tenta aproximar rivais e limitar tensões na cúpula do Brics

A Índia aposta em comércio, cooperação monetária e agricultura para produzir avanços na 18ª cúpula do Brics, que será realizada neste fim de semana. O encontro reunirá representantes de um bloco ampliado, formado por Brasil, Rússia, Índia, China, África do Sul, Egito, Etiópia, Indonésia, Irã e Emirados Árabes Unidos, além da Arábia Saudita, cujo status permanece ambíguo.

A reunião também terá peso pelas conversas bilaterais previstas. Vladimir Putin e Narendra Modi devem se encontrar nesta sexta-feira, enquanto a presença esperada de Xi Jinping pode permitir uma conversa direta entre os líderes da China e da Índia, países que mantêm tensões persistentes. Putin e Xi não participaram da cúpula anterior, realizada no Brasil. A participação do presidente chinês ainda não foi formalmente confirmada por Pequim.

Slogan e equilíbrio diplomático

Como anfitriã, a Índia escolheu o lema “Building for Resilience, Innovation, Cooperation and Sustainability”. A formulação retoma as iniciais dos cinco integrantes originais e, ao mesmo tempo, associa o bloco a objetivos que também podem ser apoiados pelos novos membros.

Para Mihaela Papa, diretora do Brics Lab do Instituto de Tecnologia de Massachusetts, a escolha ajuda a apresentar o acrônimo como uma missão comum, e não apenas como referência aos países fundadores. Já Sushant Singh, professor de estudos do Sul Asiático na Universidade de Yale, avalia que a formulação ampla expressa a tentativa indiana de manter o grupo neutro e discreto.

A posição da Índia é marcada pelo interesse em preservar relações com diferentes campos. O país mantém laços de defesa com os Estados Unidos e relações comerciais com o Ocidente, mas também ocupa uma posição relevante nas discussões do Brics. Papa considera que essa capacidade de diálogo pode favorecer a cooperação prática e a reforma da governança global, sem transformar o grupo em uma aliança explicitamente organizada contra outros países.

Divergências dentro do bloco

A ampliação aumentou a dificuldade de construir consensos. Os integrantes reúnem quase metade da população mundial e cerca de 40% do PIB global, mas mantêm diferenças políticas e relações bilaterais tensas. Entre os participantes, há mais autocracias do que democracias, segundo a análise apresentada no debate sobre o futuro do grupo.

A presença de representantes de países rivais também será observada. Masoud Pezeshkian participará pela parte iraniana, enquanto Mohamed bin Zayed Al Nahyan, dos Emirados Árabes Unidos, deve enviar representantes. A Arábia Saudita também é esperada, embora sua condição dentro do Brics continue sem definição clara.

No ano passado, o grupo defendeu mudanças na governança global, incluindo maior representação no Fundo Monetário Internacional e no Banco Mundial. Também se posicionou contra tarifas comerciais e criticou a polarização da ordem internacional. Para Singh, porém, a cúpula deve gerar poucos resultados concretos: “será algo muito, muito limitado”.

Possíveis resultados

As discussões devem tratar do aumento do comércio entre os membros, de alternativas financeiras para operações com moedas e de segurança alimentar. A Organização Mundial do Comércio aparece como uma área com maior possibilidade de entendimento, já que a Índia tende a apoiar uma ação coordenada nesse campo.

A reforma da governança global continuará no centro das conversas, mas a avaliação é que o bloco pode avançar mais em instituições e temas nos quais exista maior convergência. Entre eles estão comércio, agricultura e cooperação monetária. Ainda assim, a influência crescente da China e a política tarifária do governo Trump são apontadas como fatores que tornam mais difíceis até mesmo os objetivos limitados do Brics.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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