NOVA DÉLI — A presença de Xi Jinping na Índia concentra a atenção política da 18ª reunião de cúpula do Brics. Será a primeira passagem do líder chinês pelo país em sete anos, em meio à disputa entre as duas potências nucleares asiáticas e às tentativas de evitar novos atritos entre Pequim e Nova Déli.
O encontro ocorre neste fim de semana e deve reunir representantes com posições diferentes sobre segurança, comércio e relações internacionais. O anfitrião, Narendra Modi, já se encontrou com Xi na cúpula do Brics realizada em Kazan, na Rússia, em 2024. A expectativa agora é por uma reunião bilateral entre os dois, que não conversaram a sós quando participaram, há uma semana, da cúpula da Organização de Cooperação de Xangai, no Quirguistão.
Presenças e divergências
Entre os quatro países que fundaram o bloco em 2009 — Brasil, Rússia, Índia e China —, Luiz Inácio Lula da Silva será o único líder ausente. O chanceler Mauro Vieira representará o presidente brasileiro, que está concentrado na campanha à reeleição. Também participarão Cyril Ramaphosa e convidados incorporados ao grupo em 2023.
O iraniano Masoud Pezeshkian estará em Nova Déli em busca de apoio internacional enquanto o Irã enfrenta militarmente os Estados Unidos. Xi e Vladimir Putin apoiam os iranianos, mas a Índia não segue a mesma posição. Além disso, os Emirados Árabes Unidos, um dos novos membros, romperam relações comerciais com o Irã depois de se tornarem alvo de retaliação iraniana contra aliados americanos no golfo Pérsico.
O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, Khaled bin Mohamed bin Zayed, deverá dividir a mesa com Pezeshkian. As divergências entre os dois países já impediram um comunicado do Brics neste ano, e o Kremlin avalia que o impasse pode se repetir na reunião da Índia.
Energia e relação com os Estados Unidos
Putin chegou nesta sexta (11) a Nova Déli e se encontrou com Modi. A prioridade russa é preservar o canal de exportação de petróleo para os indianos, enquanto o setor energético de Moscou sofre sanções devido à Guerra da Ucrânia.
No fórum empresarial, realizado formalmente no sábado (12) e no domingo (13), Putin acusou países ocidentais de promover ataques contra estruturas de energia de integrantes do Brics para recuperar a hegemonia econômica. A fala foi relacionada aos ataques com drones da Ucrânia contra refinarias russas e, presumivelmente, aos bombardeios americanos contra o Irã.
O Brasil deverá tratar da integração dos meios de pagamentos digitais dos países do bloco, uma proposta considerada de difícil execução no texto oficial da pauta. A discussão também ocorre num ambiente em que Donald Trump interpreta o Brics como uma frente hostil aos Estados Unidos, embora cada integrante mantenha relações e interesses próprios com os americanos.



