WONSAN — O governo sul-coreano convocou uma reunião de emergência depois que a Coreia do Norte realizou dois lançamentos de mísseis balísticos neste domingo (20/09). A Presidência da Coreia do Sul informou que o encontro analisou a resposta aos disparos e seus possíveis efeitos sobre a segurança nacional.
Os projéteis partiram da região de Wonsan, na costa leste norte-coreana, em direção ao Mar do Leste, nome usado no país para o Mar do Japão. O primeiro lançamento foi identificado por volta das 15h (horário local) e percorreu aproximadamente 450 quilômetros. O segundo ocorreu por volta das 17h50 e foi descrito como um míssil balístico de curto alcance, com trajetória superior a 600 quilômetros.
Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão compartilharam informações sobre o primeiro disparo. O governo sul-coreano pediu que Pyongyang cesse imediatamente os lançamentos e classificou a ação como grave, em violação a resoluções do Conselho de Segurança da ONU. O Japão também apresentou um protesto à Coreia do Norte e apontou ameaça à paz e à segurança regionais.
Disputa sobre o programa nuclear
Os lançamentos aconteceram depois de a Coreia do Norte rejeitar uma resolução da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) que condena o desenvolvimento de seu programa nuclear. Em comunicado divulgado pela imprensa estatal, o Ministério das Relações Exteriores norte-coreano afirmou que a decisão não tem efeito e é ilegal, porque o país não integra a agência.
Uma semana antes, no último dia 12, Pyongyang havia lançado vários mísseis balísticos de curto alcance em direção ao mar. A ação ocorreu um dia depois do fim dos exercícios militares Freedom Edge, realizados por Coreia do Sul, Estados Unidos e Japão e criticados pelo governo norte-coreano.
A Coreia do Norte fez seu primeiro teste nuclear em 2006 e desenvolveu, desde então, diferentes tipos de mísseis balísticos. A Constituição do país prevê o status de potência nuclear desde 2023. Sob sanções das Nações Unidas, o governo norte-coreano não retomou as negociações sobre o programa nuclear desde o fracasso, em 2019, da segunda cúpula entre Kim Jong-un e Donald Trump.
Na quinta-feira, Kim Yo Jong, irmã do líder norte-coreano, chamou de idiotas os que defendem o abandono do arsenal nuclear. Em agosto, Trump disse que a Coreia do Norte tinha 57 armas nucleares, enquanto a Coreia do Sul estimou o total entre 80 e 120.



