COREIA DO SUL — Uma experiência de confinamento voluntário tem levado pais a permanecer em quartos sem celulares, computadores ou acompanhantes. A proposta é permitir que eles vivenciem, ainda que por um período planejado, parte do isolamento enfrentado pelos filhos que romperam o contato com o mundo exterior.
Os espaços têm quatro paredes nuas, uniformes azuis e uma pequena abertura na porta, usada para a entrega ocasional de comida. Embora reproduzam características de uma prisão de segurança máxima, os quartos fazem parte de uma iniciativa chamada “fábrica de felicidade”.
O objetivo é ajudar os pais a compreender os sentimentos associados ao hikikomori, termo usado para descrever jovens e adultos que se afastam completamente da vida social e do mundo exterior.
As histórias das famílias
Jin Young-hae e Park Han-sil, pseudônimos, são mães de jovens de 24 e 26 anos, respectivamente. O filho de Jin permanece trancado no quarto e deixou de se preocupar com higiene e alimentação. Já o filho de Park rompeu os vínculos com o mundo exterior há sete anos e não aceita tomar a medicação recomendada pelos médicos.
As duas participaram de experiências planejadas de isolamento. Para Jin, a vivência contribuiu para uma compreensão maior da situação do filho e abriu possibilidades de comunicação. “Fiquei me perguntando o que fiz de errado... é doloroso pensar nisso. Mas, quando comecei a refletir, obtive certa clareza”, afirmou.
A experiência, portanto, foi apresentada como uma forma de aproximar os familiares da realidade vivida pelos filhos, e não como uma decisão impulsiva de confinamento.



