A reta final da campanha eleitoral no Brasil passou a ser associada, na imprensa francesa, ao combate ao crime organizado e à violência de milícias contra candidatos de esquerda. A três dias das eleições, três jornais do país abordaram diferentes aspectos da disputa nesta quinta-feira (1).
O Libération colocou o presidente brasileiro na capa com uma chamada sobre a defesa de seu legado. A correspondente Chantal Rayes esteve em Fortaleza, no Ceará, descrita como um bastião do lulismo. O jornal relacionou o aumento da pobreza e da criminalidade na região à possibilidade de rejeição da reeleição de Lula.
A publicação também recordou que, nos dois primeiros mandatos, Lula ampliou políticas de ajuda social e investimentos em educação e infraestrutura no Nordeste. Em 2022, ele recebeu mais que o dobro dos votos de Jair Bolsonaro na região. A avaliação apresentada é que, quatro anos depois, Flavio Bolsonaro pode reduzir essa diferença com uma campanha voltada ao combate às facções criminosas que chegaram a estados nordestinos na última década.
O Le Monde tratou do mesmo tema em uma edição datada de 1° de outubro. A publicação afirmou que o crime organizado domina a campanha e ouviu políticos que se consideram alvos de milícias. Esses grupos seriam formados por antigos policiais, militares, bombeiros e agentes públicos, com controle sobre áreas da capital e da periferia.
O jornal também mencionou a infiltração do crime organizado no poder local e o assassinato da vereadora Marielle Franco, em 2018. Ela teria tentado impedir projetos imobiliários de uma milícia liderada pelos irmãos Brazão, políticos do Rio de Janeiro.
Mudanças entre trabalhadores
O Le Figaro abordou a polarização dentro da classe operária, tradicionalmente ligada à esquerda. Em Minas Gerais, a correspondente Eléonore Hughes visitou montadoras e ouviu sindicalistas, diretores e empresários sobre mudanças nas ambições da nova geração de trabalhadores.
A busca por uma carreira em uma grande empresa perdeu parte do atrativo, segundo o jornal. Nesse cenário, “o discurso de Lula já não encontra a mesma ressonância de antes”, concluiu a publicação.



