SÃO PAULO — O ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou neste domingo (13/09) o levantamento do sigilo de 5 mil páginas da investigação da Polícia Civil de São Paulo sobre o financiamento do filme Dark Horse, cinebiografia de Jair Bolsonaro. O material passa a integrar o inquérito que apura possível desvio de emendas parlamentares para a Go Up Entertainment, produtora do projeto.
A decisão também determina que a Polícia Civil compartilhe com a Polícia Federal documentos, celulares e computadores apreendidos em uma operação realizada em junho. Para Dino, os elementos recebidos indicam que a apuração paulista e o inquérito conduzido no STF investigam a mesma estrutura criminosa.
Suspeitas sobre recursos públicos
A investigação envolve a destinação de verbas públicas, incluindo emendas parlamentares federais e recursos ligados à Prefeitura de São Paulo. Uma empresa associada a Karina Gama mantinha contrato superior a R$ 100 milhões com a prefeitura para instalar pontos de wi-fi, mas não havia comprovação da prestação dos serviços, conforme os autos.
Na quinta-feira (10/09), uma operação da Polícia Federal autorizada por Dino cumpriu mandados de busca e apreensão em endereços de pessoas e entidades investigadas. Entre os alvos estavam o deputado federal Mario Frias (PL-SP) e a produtora Karina Gama, presidente da Go Up.
Frias, que também é roteirista e produtor-executivo do filme, teria destinado R$ 2 milhões em emendas parlamentares ao Instituto Conhecer Brasil (ICB), controlado por Gama. A suspeita é de que os valores tenham sido desviados para a produção de Dark Horse. Frias e Gama negam as acusações.
A decisão menciona transferências feitas por Frias à Go Up e afirma que os valores identificados seriam incompatíveis com os rendimentos conhecidos do deputado e com os créditos encontrados em suas contas bancárias. O despacho também reproduz a hipótese da Polícia Federal de que o parlamentar teria papel mais relevante que o de autor de emendas.
Apuração sobre ligação com o PCC
Dino citou possíveis vínculos entre o esquema investigado e o Primeiro Comando da Capital (PCC). Segundo os autos, a suspeita surgiu na apuração sobre Alex Leandro Bispo dos Santos, apontado pela polícia como integrante da facção.
Bispo dos Santos foi sócio da Urban Connect Serviços e Tecnologia, que recebeu mais de R$ 1,2 milhão do ICB. Parte dos recursos teria circulado por outras empresas sob investigação.
O financiamento privado do filme é apurado em outro inquérito no STF, relatado pelo ministro André Mendonça. O processo investiga repasses de cerca de R$ 60 milhões feitos por Daniel Vorcaro, fundador do Banco Master, para a produção da cinebiografia. As apurações conduzidas por Dino e Mendonça tratam, respectivamente, de suspeitas sobre recursos públicos e da origem do financiamento privado.



