O ataque de drones atribuído à Ucrânia deixou duas pessoas mortas e 20 feridas na região de Moscou neste domingo (20/09), durante o terceiro e último dia da eleição parlamentar russa. Uma refinaria de petróleo da capital, que já havia sido atingida anteriormente, também foi alvo da ofensiva, informaram autoridades locais.
O prefeito de Moscou, Sergei Sobyanin, afirmou que mais de 1.600 drones foram abatidos desde o dia anterior em diferentes frentes. Segundo ele, 450 tinham a capital como destino. Sobyanin declarou que a ofensiva buscava atrapalhar a votação, mas não conseguiu interrompê-la.
Um dos aparelhos atingiu um prédio residencial, sem provocar mortes entre os moradores. Testemunhas relataram explosões em Moscou e observaram colunas de fumaça saindo da refinaria. “O maior ataque de drones inimigos foi repelido”, afirmou o prefeito em uma mensagem no Telegram.
Petróleo e logística como alvos
O presidente ucraniano, Volodimir Zelenski, disse nas redes sociais que Kiev empregou mísseis e drones contra instalações de petróleo e de logística. Entre os armamentos citados por ele estavam os mísseis Flamingo e Pelican, fabricados na Ucrânia. Zelenski afirmou que a operação pretendia pressionar financeiramente a Rússia, referindo-se aos recursos que sustentam a máquina de guerra.
A ofensiva ocorreu no mesmo período da votação para a Duma Estatal, a primeira eleição parlamentar desde o início da invasão russa em larga escala da Ucrânia, em fevereiro de 2022. A expectativa é que o partido governista Rússia Unida preserve sua predominância. O Kremlin deve apresentar o resultado como demonstração de apoio popular às políticas de Vladimir Putin e à guerra.
A maior parte dos candidatos contrários ao conflito foi impedida de concorrer. Integrantes do partido liberal Yabloko que participaram da disputa afirmaram temer pela própria liberdade depois que dois nomes importantes da legenda receberam longas penas de prisão por declarações sobre a guerra consideradas ilegais pelas autoridades.
Disputa sob restrições
O líder do Yabloko, Nikolai Rybakov, invalidou o próprio voto ao escrever na cédula o nome da legenda e a frase “Pela paz”. O Kremlin sustenta que a unidade nacional e algum nível de censura são necessários durante o que chama de operação militar especial na Ucrânia. O governo russo descreve o conflito como uma disputa existencial contra um Ocidente hostil e acusa adversários de tentar estimular a instabilidade no país.
As autoridades eleitorais informaram no sábado que o sistema de votação online de Moscou sofreu um ataque cibernético. Kiev, que suspendeu eleições por causa da lei marcial, classificou a votação russa como uma pseudoeleição.
Na sexta-feira, Putin acusou a Ucrânia de interferir no processo eleitoral. Ele mencionou um suposto ataque contra a residência de uma autoridade eleitoral na área da região ucraniana de Zaporíjia controlada pela Rússia. De acordo com o presidente russo, a funcionária Elena Astanina morreu no episódio.
O centro de estudos Nest, sediado em Berlim e cofundado pelo crítico do Kremlin Mikhail Khodorkovsky, avaliou que as dificuldades econômicas podem abrir espaço para partidos de oposição autorizados. O grupo afirmou que o Partido Comunista e o Novas Pessoas poderiam receber votos que o governo preferiria destinar ao Rússia Unida, embora as duas siglas geralmente acompanhem o partido governista nos principais temas.
Em pronunciamento televisionado antes da votação, Putin disse que o resultado mostraria o apoio da população às tropas russas que combatem na Ucrânia. A legislação russa prevê longas penas de prisão para quem desacreditar as Forças Armadas ou divulgar informações classificadas pelas autoridades como falsas.



