ALAMOGORDO — Uma escavação realizada em 2014 confirmou que a Atari enterrou cartuchos de jogos, consoles e equipamentos eletrônicos não comercializados em um aterro sanitário do Novo México. O descarte ocorreu em 1983 e, por décadas, foi tratado por muitos entusiastas como uma possível lenda do mercado de videogames.
Em setembro de 1983, grandes carregamentos foram transportados secretamente para o local. A falta de informações detalhadas alimentou os rumores sobre caminhões cheios de produtos eletrônicos enterrados no deserto de Alamogordo. A dúvida só começou a ser esclarecida mais de três décadas depois, quando pesquisadores e cineastas decidiram investigar a área.
Com maquinário pesado e equipes coordenadas, a escavação avançou sobre camadas de terra e resíduos. O trabalho encontrou cartuchos soterrados, além de manuais originais preservados. Entre os materiais estava o jogo conhecido pelo título do extraterrestre, cuja presença ajudou a confirmar a existência do descarte.
Também foram recuperadas cópias de outros jogos da época, como Asteroids e Pac-Man. Ao todo, aproximadamente mil e trezentos cartuchos foram retirados do terreno, comprovando que o depósito de produtos eletrônicos não era apenas um boato.
Cartuchos viram itens de coleção
A recuperação modificou o valor atribuído aos materiais. Depois de permanecerem enterrados por mais de trinta anos, os cartuchos passaram a ser procurados por colecionadores e foram tratados como relíquias culturais raras. Leilões realizados após a escavação tiveram unidades vendidas por mais de mil e quinhentos dólares.
Além dos jogos, a preservação de manuais originais e de materiais promocionais de época aumentou o interesse pelas peças. A descoberta também encerrou a controvérsia sobre a existência do descarte em massa e transformou os produtos recuperados em objetos presentes em museus e coleções privadas.
O episódio passou a integrar a memória dos videogames domésticos e do retrogaming. Materiais que haviam sido destinados ao descarte ganharam novo significado entre jogadores e colecionadores, como registro de um capítulo da história dos consoles.



