A possibilidade de eleições antecipadas voltou ao centro da política espanhola depois que o Parlamento rejeitou dois decretos sobre moradia. O primeiro-ministro Pedro Sánchez reservou alguns dias para avaliar o cenário e decidir se convocará um novo pleito, atualmente previsto para meados de 2027.
A decisão ocorreu em meio a manifestações realizadas neste sábado (03/10) em Madri e em outras cidades da Espanha. Os atos cobraram respostas para a crise habitacional e foram organizados um dia após a derrota das propostas do governo destinadas a aliviar a situação dos inquilinos.
Divergência sobre o tamanho dos atos
Na capital, a Delegação do Governo calculou em cerca de 70 mil o número de participantes. O Sindicato de Inquilinas, que participou da organização, estimou 500 mil manifestantes. Diferentes grupos marcharam até a Praça de Cibeles com o lema “Rumo à greve geral”.
Também houve mobilizações em Palma de Mallorca, Santander, Segóvia e Toledo. Em Barcelona, o protesto foi cancelado por causa do mau tempo. Em Valência, a manifestação terminou com confronto entre policiais e parte dos participantes. Nove agentes tiveram ferimentos leves e cinco pessoas foram detidas, segundo informações locais citadas no relato.
A mobilização ganhou força depois do despejo de Maricarmen Abascal, de 87 anos, ocorrido há cerca de dez dias. O caso se tornou símbolo da crise, e manifestantes mantêm desde então um acampamento na Puerta del Sol, em Madri.
No fim do ato na capital, integrantes de grupos de ultradireita tentaram chegar ao acampamento. A polícia impediu o avanço, e alguns participantes fizeram saudações nazistas. Houve perseguição pelas ruas depois de novas tentativas de alcançar a área ocupada.
Pressão sobre os aluguéis
O Sindicato de Inquilinas afirmou que o movimento expressa a insatisfação com o aumento dos aluguéis e a dificuldade de encontrar moradia. Valeria Racu, porta-voz da entidade, disse que “o que se respira nas ruas é uma nova energia”.
Marcos Sainz, livreiro de 26 anos que participou da manifestação em Madri, contou que antes dividia com amigos um apartamento de três quartos por 900 euros. Ele se mudou para um imóvel de dois quartos que custa quase 1.000 euros mensais.
O líder da oposição conservadora, Alberto Núñez Feijóo, pediu que Sánchez convoque eleições e afirmou que o país “não aguenta mais” a situação política. A crise habitacional também é associada, por críticos, à atuação de plataformas de aluguel turístico, como o Airbnb, e de fundos de investimento imobiliário.



