Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Brasil

Feijão brasileiro pode ganhar valor com origem, diversidade e práticas verificáveis

Para o Ibrafe, reconhecer território, cultura, manejo e qualidade pode ampliar o valor do feijão sem afastá-lo do consumo cotidiano.

Feijão brasileiro pode ganhar valor com origem, diversidade e práticas verificáveis
Foto: Marcos Santos/USP Imagens

O feijão brasileiro pode capturar mais valor sem depender exclusivamente da industrialização. Para o Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe), a origem, a história regional, a diversidade de variedades, as práticas de produção, o valor nutricional e a presença cultural também precisam ser reconhecidos e comunicados.

A verticalização — com produtos prontos, ingredientes, marcas e maior integração entre indústria, varejo, restaurantes e exportação — pode responder a necessidades como praticidade e dificuldade de preparo. Feijão cozido, farinhas, snacks e ingredientes à base de pulses são exemplos de produtos capazes de capturar mais valor por tonelada.

Essa estratégia, porém, não garante sozinha mercado ou melhoria de renda na cadeia. O resultado depende de qualidade, distribuição, confiança e viabilidade econômica. Por isso, a questão central é identificar quais atributos do feijão ainda não estão sendo apresentados ao consumidor.

Origem e diversidade

O feijão reúne diferenças de variedade, textura, sabor, tempo de cozimento, origem, história e uso culinário. Esses atributos estão ligados às tradições de cada território, à adaptação ao clima, ao trabalho dos produtores e às oportunidades econômicas locais.

O Ibrafe cita a ligação do feijão-preto com o Sul, a presença do feijão-carioca em regiões tecnificadas, os feijões especiais do Cerrado e os caupis associados à cultura do Nordeste. Mungos, alubias, rajados, vermelhos, cranberries e adzukis completam uma diversidade ainda pouco visível nas gôndolas.

A ideia de terroir exige demonstrar a relação entre ambiente, modo de produção e características do alimento. Essa construção pode envolver produtores, pesquisadores e cozinheiros. Também pode formar uma Rota do Feijão, reunindo território, cultura, gastronomia, produção e conhecimento.

Cada região teria a possibilidade de contar quando o feijão chegou, por que se adaptou, quem o plantou, quais variedades ganharam espaço, quais pratos se relacionam com elas e como a pesquisa contribuiu para o desenvolvimento da lavoura.

Manejo e reconhecimento

A valorização da origem também permite explicar como o alimento é produzido. O uso do termo regenerativo, segundo o Ibrafe, precisa estar apoiado em práticas e resultados verificáveis. Entre os aspectos envolvidos estão o cuidado com o solo, a rotação de culturas, a cobertura vegetal, a redução da erosão, a proteção da água e a diversificação produtiva.

Para o consumidor, a mensagem pode ser apresentada de forma direta: trata-se de um alimento produzido com práticas que buscam cuidar da terra de onde vem. A confiança, no entanto, depende de evidências que sustentem essa afirmação.

A narrativa não substitui preço, qualidade e disponibilidade, mas pode ajudar a revelar o trabalho existente entre a lavoura e a mesa. Um produto pronto para consumo, por exemplo, pode reunir conveniência, variedade escolhida, origem identificada, produtores conhecidos e práticas comprovadas.

O Ibrafe tem levado essa visão a produtores, empacotadores, exportadores, pesquisadores, supermercados, chefs, restaurantes, universidades e instituições públicas. A proposta é distribuir responsabilidades: o produtor deve ser reconhecido pelo que entrega além do volume; o empacotador precisa diferenciar o produto; o varejo pode apresentar atributos além da promoção; e chefs e escolas podem aproximar o público da diversidade do alimento.

A pesquisa pode sustentar a diferenciação, a indústria pode oferecer conveniência e a exportação pode apresentar o Brasil como origem confiável e diversa. A decisão sobre o caminho a seguir — vender melhor o grão, criar uma marca de origem, fortalecer o empacotamento, lançar um produto pronto, desenvolver um ingrediente ou buscar um mercado externo — deve partir do produto, do território, do sistema produtivo e de uma demanda real.

O feijão combina proteína vegetal acessível, fibra, cultura, renda no campo e segurança alimentar. Para o Ibrafe, conhecer e comunicar esse conjunto pode fazer com que uma saca deixe de ser anônima, aproximando quem produz de quem consome e ampliando o reconhecimento do trabalho realizado na cadeia.

Marcelo Lüders é presidente do Instituto Brasileiro do Feijão e Pulses (Ibrafe) e atua na promoção do feijão brasileiro no mercado interno e internacional.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.