A aeronave usada pelo senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) em uma viagem com a família para Brasília, em janeiro de 2025, tinha entre os proprietários uma empresa da qual Daniel Vorcaro, ex-dono do Banco Master, era sócio. O voo foi realizado em 19 de janeiro de 2025, da Flórida para a capital federal.
O jatinho era um Legacy 650, de prefixo PP-NLR. Naquele período, a Prime You tinha um terço das cotas da aeronave, participação comprada no fim de 2024. A empresa também era responsável pela operação do avião por meio da Prime Aviation Táxi Aéreo e Serviços. Vorcaro permaneceu na sociedade da Prime You até setembro de 2025.
Passageiros e participação no avião
Flávio estava acompanhado da mulher, Fernanda Antunes Figueira Bolsonaro, das duas filhas e do advogado e empresário Willer Tomaz, que é amigo do senador. O avião saiu do Aeroporto Internacional de Fort Lauderdale-Hollywood, na Flórida, e pousou em Brasília.
Tomaz confirmou que, por meio de uma empresa, detinha outra das três cotas do Legacy 650. Um relatório da Polícia Federal informou que cada participação de 33,33% na aeronave era avaliada em US$ 5,5 milhões em maio de 2025.
A presença de Flávio e Tomaz no trajeto já havia sido identificada anteriormente. O avião foi relacionado à viagem a partir do cruzamento de registros históricos de tráfego aéreo, dados de movimentação aeroportuária e informações do Registro Aeronáutico Brasileiro.
Relação com outros episódios
O mesmo Legacy 650 foi usado pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, em agosto de 2025, sete meses depois da viagem do senador.
Em nota, Willer Tomaz afirmou que sua participação na aeronave era administrada pela Prime You. Disse também que os voos eram privados e não remunerados e que amigos poderiam ser convidados a viajar quando houvesse lugares disponíveis e o destino fosse o mesmo.
Tomaz declarou que só soube em abril de 2026 da participação de Vorcaro no avião. Segundo ele, depois disso denunciou o contrato e passou a discutir a questão judicialmente com a Prime You. O advogado afirmou não conhecer Vorcaro pessoalmente e negou negócios com o ex-banqueiro.
As circunstâncias financeiras envolvendo o Banco Master e pessoas próximas a Vorcaro continuam sob investigação das autoridades.



