A geração Z tem priorizado carreiras manuais e técnicas diante das exigências crescentes e da saturação do mercado de tecnologia da informação. Jovens nascidos entre o final dos anos 1990 e os anos 2000 vêm deixando de lado graduações longas e funções de desenvolvimento de software.
A mudança rompe com o caminho que, por mais de duas décadas, foi apresentado como ideal para alcançar sucesso financeiro: obter um diploma universitário, aprender a programar e conquistar uma vaga em tecnologia ou gestão. Entre as alternativas escolhidas estão ocupações como eletricista, encanador, mecânico e paisagista, tradicionalmente classificadas como cargos de colarinho azul.
Desencanto com a carreira digital
A programação já foi vista como uma das principais formas de alcançar estabilidade financeira. Para recém-formados, porém, o mercado aparece mais saturado e instável. Mesmo candidatos com diploma em tecnologia enfrentam processos de contratação que exigem domínio de dezenas de linguagens e frameworks, além de anos de experiência prévia.
As exigências podem resultar em salários iniciais que não compensam as horas trabalhadas e o nível de qualificação solicitado. Quem tenta entrar no setor também lida com uma rotina descrita como marcada por estresse constante e prazos apertados em metodologias ágeis, conhecidas como sprints.
Nesse cenário, as funções manuais e operacionais passaram a ser vistas por parte da geração Z como uma escolha pragmática. A expectativa apresentada é que esse movimento ofereça oportunidades de trabalho e retorno financeiro, contrariando a ideia de que o caminho universitário e a programação seriam as únicas apostas seguras para o futuro.



