A inteligência artificial está mudando as atividades de desenvolvimento de software e deve levar programadores a assumir funções mais estratégicas, como arquitetura, revisão e orquestração de soluções. A avaliação é de Ricardo Cruz, diretor administrativo-financeiro da DKP Consultoria, empresa brasileira com mais de 20 anos de atuação em consultoria e desenvolvimento de sistemas.
Levantamento do Fórum Econômico Mundial indica que, em 2025, quatro em cada dez desenvolvedores disseram que a IA havia ampliado suas oportunidades de carreira. Cerca de sete em cada dez também esperam novas mudanças em suas funções ao longo de 2026. A entidade estima ainda que 22% dos empregos globais passem por uma transformação estrutural em até cinco anos, em um processo associado ao avanço da tecnologia e à capacidade de requalificação das organizações.
No Brasil, dados da Brasscom apontam uma diferença entre a demanda e a formação de profissionais de tecnologia. Entre 2019 e 2024, o mercado precisou de mais de 665 mil trabalhadores, enquanto cerca de 465 mil se formaram no período. A lacuna foi superior a 30%.
Mudança nas equipes
Segundo Cruz, ferramentas de IA já conseguem gerar código, identificar vulnerabilidades, sugerir melhorias, criar testes automatizados e desenvolver aplicações a partir de descrições em linguagem natural. Com isso, tarefas como correção de erros, manutenção básica, criação de telas padronizadas e pequenas integrações tendem a ser automatizadas.
O executivo afirma que a transformação não representa o fim da programação. “O papel do programador deixará de ser predominantemente operacional para tornar-se cada vez mais estratégico”, disse Cruz.
Nesse cenário, as equipes passam a demandar profissionais com capacidade analítica, visão sistêmica e domínio das ferramentas de IA. Também cresce a procura por especialistas em inteligência artificial, machine learning, engenharia de dados, computação em nuvem, cibersegurança e integração de sistemas.
O novo perfil profissional combina conhecimento técnico com a capacidade de trabalhar em conjunto com agentes inteligentes. Em vez de escrever manualmente todas as linhas de código, o desenvolvedor pode atuar como arquiteto, revisor e responsável por orquestrar soluções produzidas pela tecnologia. Formular instruções, validar resultados, garantir qualidade e tomar decisões técnicas ganham relevância nesse processo.
Para as empresas, Cruz considera que a IA pode acelerar a inovação, reduzir custos e permitir o desenvolvimento mais rápido de produtos. A adoção, porém, exige investimento em capacitação e mudanças culturais. “Isso não significa necessariamente menos empregos, mas uma mudança na composição das equipes”, afirmou.
A DKP Consultoria informa atuar no setor de tecnologia da informação com implantação e suporte de ERPs, automação com RPA, visualização de dados com Power BI, modernização de infraestrutura com DevOps e soluções em nuvem. A empresa já realizou mais de 900 projetos para mais de 600 clientes de diferentes segmentos.



