APUCARANA — O número de nascimentos entre mulheres com mais de 35 anos aumentou em Apucarana entre 2015 e 2025, enquanto as faixas mais jovens registraram queda. Entre mães de 35 a 39 anos, os registros passaram de 198 para 213, alta de 7,6%. Na faixa de 40 a 44 anos, subiram de 45 para 52, crescimento de 15,6%.
A mudança aparece em um cenário de redução geral. Dados do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) indicam que o município teve 1.396 nascimentos em 2025, ante 1.796 em 2015. Foram 400 registros a menos, o que representa queda de 22,3% em dez anos.
Entre adolescentes de 15 a 19 anos, os nascimentos diminuíram de 251 para 109 no período, uma redução de 56,6%. Já entre mulheres de 20 a 24 anos, passaram de 458 para 278, recuo de 39,3%.
Uma gestação fora dos planos
A apucaranense Jenifer Larissa, de 40 anos, espera Antônio, seu primeiro filho. Ela conta que a maternidade não estava entre seus planos e que, após ouvir de um médico que não poderia engravidar, concentrou-se nos estudos e no trabalho.
“Eu não pensava muito em ser mãe. Estava focada em estudar e trabalhar”, disse Jenifer. Como não esperava engravidar, a gestação foi uma surpresa. Durante o período, ela afirma ter recebido apoio do marido, de familiares, amigas e colegas de trabalho.
Fatores do planejamento familiar
Sabrina Kuniczki, enfermeira obstetra, coordenadora da Atenção Materno Infantil e chefe da Seção de Atenção Primária em Saúde da 16ª Regional de Saúde, relaciona a mudança à prioridade dada por muitas mulheres aos estudos e ao mercado de trabalho antes da formação de uma família.
Ela também cita a redução da fecundidade e a mudança no tamanho das famílias. “As famílias não são mais tão numerosas”, afirmou. Segundo Sabrina, aumentou a proporção de mulheres com um ou dois filhos.
A profissional aponta ainda a maior variedade e o acesso a métodos contraceptivos, incluindo o implante contraceptivo subdérmico no SUS, que pode prevenir a gravidez por até três anos. Mudanças na legislação sobre planejamento reprodutivo ampliaram as possibilidades de acesso à esterilização voluntária.
Questões econômicas e sociais também podem influenciar a decisão de ter ou adiar filhos, como insegurança financeira, custo de criação das crianças, dificuldade de conciliar trabalho e maternidade, acesso à contracepção e mudanças nas relações conjugais.




