Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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Perfis bolsonaristas impulsionam rede de apoio religioso a André Mendonça

Ao menos 24 contas no Instagram somavam 5,6 milhões de seguidores e promoviam conteúdos em defesa do ministro do STF.

Bolsonaristas capturam perfis nas redes para inflar apoio religioso a Mendonça
Foto: Reprodução/Instagram

Ao menos 24 perfis no Instagram passaram a promover André Mendonça de forma articulada, com apoio de contas ligadas a políticos bolsonaristas como Flávio Bolsonaro e Nikolas Ferreira. As páginas apresentam o ministro do Supremo Tribunal Federal como uma figura religiosa em meio à crise provocada pelas revelações do caso Master.

O levantamento identificou que os perfis somavam 5,6 milhões de seguidores até quarta-feira (16). Metade das contas já existia antes da crise no STF e mudou de nome para se dedicar ao magistrado. A prática é conhecida como astroturfing, quando uma mobilização organizada tenta simular apoio popular espontâneo.

Contas reaproveitadas

Duas das maiores páginas são exemplos desse processo. A conta @andremendoncas2, criada em novembro de 2024, tinha 1,9 milhão de seguidores, recebeu o selo de verificação do Instagram em agosto e mudou de nome oito vezes. Antes de se voltar a Mendonça, republicava conteúdos religiosos, anti-LGBTQIA+ e sobre futebol. Atualmente, não exibe publicações anteriores a setembro.

A @andremendoncas3 foi criada em abril, passou por duas mudanças de nome e também não apresenta posts anteriores a setembro. Os primeiros conteúdos disponíveis nas duas contas foram publicados em 5 e 7 de setembro. Desde então, ambas compartilham publicações semelhantes e direcionam o público para páginas de apoio ao ministro.

As contas também associaram discussões recentes do STF a uma pregação feita por Mendonça em fevereiro deste ano, durante uma conferência cristã voltada ao apoio a mães de pessoas atípicas. Até quarta-feira (16), essas publicações acumulavam cerca de 2 milhões de visualizações.

A mobilização foi ampliada por perfis com audiências já consolidadas. O perfil @nikolasferreiradms3, que utiliza o nome e a imagem do deputado federal mineiro, publicou uma chamada para que seus seguidores acompanhassem a @andremendoncas2. Também foram identificados usos do recurso de collabs do Instagram entre páginas dedicadas a Mendonça e contas associadas a políticos bolsonaristas.

Em outros casos, diferentes perfis reproduziram imagens, vídeos e legendas idênticas e conduziram os seguidores para uma mesma página. Uma publicação sobre um perfil de apoio ao ministro ter ultrapassado 240 mil seguidores em 24 horas foi distribuída por várias contas bolsonaristas.

Conteúdo religioso e disputa eleitoral

Entre 1º e 9 de setembro, 156 publicações analisadas equipararam a atuação de Mendonça a uma jornada religiosa. Juntas, elas somaram 228 milhões de visualizações. Os conteúdos pediam orações, chamavam o ministro de “servo de Deus” e descreviam sua atuação no STF como uma missão divina. Não foi possível determinar quanto desse engajamento é autêntico.

A disputa institucional envolvendo o caso Master também foi apresentada como uma missão atribuída ao ministro por Deus ou como uma batalha entre o bem e o mal. Das publicações analisadas, 20 foram feitas por candidatos ou políticos com mandato.

O deputado federal Alfredo Gaspar, candidato a vice na chapa presidencial de Flávio, associou a disputa envolvendo Mendonça à eleição de outubro. Ele afirmou que Moraes e o presidente Lula representariam um sistema que tentaria impedir o ministro de avançar nas investigações sobre o Banco Master e as fraudes no INSS. Até quarta-feira (16), o vídeo acumulava 2,2 milhões de visualizações e 27 mil compartilhamentos.

O especialista em direito eleitoral Marcos Jorge avaliou que haveria problema se as publicações atribuíssem ao ministro um apoio eleitoral que ele não declarou. No caso de Gaspar, porém, não houve essa atribuição. Jorge também apontou questionamentos caso fosse comprovada anuência ou articulação prévia de Mendonça para o uso eleitoral de suas manifestações.

O advogado e mestre em Direito e Políticas Públicas Adriano Fonseca afirmou que a conduta poderia gerar questionamentos éticos e constitucionais. Não foram encontradas evidências de que Mendonça tenha autorizado ou participado da elaboração das publicações.

O gabinete de André Mendonça, as assessorias de Nikolas Ferreira e Flávio Bolsonaro e o deputado Alfredo Gaspar foram procurados para comentar. Até a publicação, nenhum dos quatro havia respondido. A Meta também foi questionada sobre a reutilização de contas com audiência preexistente após mudanças de nome e de tema.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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