Os ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) discutiram nesta terça-feira (15) se as acusações contra Alexandre de Moraes devem ser analisadas junto das contestações à atuação de André Mendonça. A corte prevê examinar essas contestações em 23 de setembro.
Moraes, com o apoio de Gilmar Mendes, defendeu que os dois casos sejam tratados em conjunto. Kassio Nunes Marques e Dias Toffoli não participaram da discussão: o primeiro se declarou impedido, e o segundo, suspeito.
Acusações durante a sessão
A discussão evoluiu para um confronto entre os ministros. Moraes afirmou que Mendonça estaria ligado ao grupo político responsável pela tentativa de golpe de Estado após as eleições de 2022. O ministro disse que pretende apresentar policiais e advogados como testemunhas de uma reunião em que, segundo ele, teria sido pedido que seu nome fosse incluído em uma colaboração premiada.
“Quem chamou a PF e exigiu que a PF colocasse um colega na colaboração premiada?”, questionou Moraes. Em seguida, declarou que Mendonça estaria a serviço de um grupo político que tentou dar um golpe no país.
Mendonça respondeu que Moraes mentiu. “Mentira, mentira, mentira, podem chamar quem quiser”, afirmou. Indicado ao STF pelo ex-presidente Jair Bolsonaro, ele também trocou acusações com Gilmar Mendes, que classificou o pedido de investigação contra Moraes como uma condução política eleitoral. Após Mendonça pedir respeito, Gilmar respondeu: “Quem não se dá o respeito não merece respeito”.
Relações com o Banco Master
O julgamento avalia se Moraes deve ser investigado por supostas relações com Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, preso sob acusação de comandar a maior fraude da história do sistema financeiro brasileiro.
Um relatório da PF aponta que Vorcaro enviou 52 mensagens a Moraes nas semanas anteriores à prisão do banqueiro e à liquidação do banco. Em uma delas, o remetente agradece ao ministro e afirma que sua família, funcionários, parceiros e amigos teriam uma dívida com Moraes e sua família.
O escritório de advocacia de Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro, mantinha um contrato de R$ 130 milhões com o Master. Moraes nega irregularidades e afirmou, em comunicado divulgado na noite de segunda-feira (14), que as acusações fazem parte de uma motivação político-eleitoral e de uma tentativa de vingança de aliados de pessoas condenadas pelo STF.



