IPIRANGA DO NORTE — A verticalização da soja será discutida durante a Abertura Nacional do Plantio da Soja 2026/2027, realizada nesta quinta-feira (17), a partir das 9h, pelo horário de Brasília. O encontro ocorre em Ipiranga do Norte (MT) e terá a participação de Jerônimo Goergen, presidente da Associação dos Produtores de Biocombustíveis do Brasil (Aprobio).
A proposta é ampliar as etapas realizadas depois da colheita, incluindo armazenamento, processamento e transformação da matéria-prima em produtos de maior valor agregado. Para Goergen, esse movimento pode aproximar as áreas produtoras das indústrias e fazer com que mais oportunidades de trabalho e renda permaneçam nessas regiões.
“Verticalizar é ampliar a participação nas etapas que vêm depois da colheita”, afirma Goergen. Entre os caminhos possíveis para o produtor estão a atuação por meio de cooperativas, parcerias e participação em empreendimentos industriais.
O processamento da soja permite direcionar o farelo principalmente para a alimentação animal, abastecendo as cadeias de carnes, leite e ovos. O óleo pode ser usado na alimentação e na produção de biodiesel. Na avaliação do presidente da Aprobio, o combustível demonstra como uma matéria-prima produzida no país pode ser transformada em produto industrial, movimentando a indústria nacional e reduzindo a necessidade de diesel importado.
A ampliação do processamento também pode aumentar a oferta de farelo e criar oportunidades para a cadeia de produção de alimentos. A exportação do grão continuará relevante, mas a defesa é por mais alternativas, com atendimento ao mercado interno e conquista de mercados para produtos industrializados. Essa diversificação pode ampliar as fontes de receita, embora não elimine as oscilações de preços.
Condições para o investimento
Para que os benefícios cheguem ao produtor, Goergen aponta a necessidade de crédito com prazos compatíveis com investimentos industriais, armazenagem, transporte eficiente e energia competitiva. Também cita avanços em eficiência de processamento, qualidade dos produtos, aproveitamento de coprodutos e formação de profissionais.
Outro requisito é a segurança para os investidores, com segurança jurídica, regras tributárias que favoreçam a competitividade da cadeia e continuidade nas políticas de biocombustíveis. A instalação de uma indústria, porém, não garante sozinha maior participação do agricultor no valor gerado.
Cooperativas, parcerias e contratos transparentes podem ajudar nessa conexão. Os cerealistas também são apontados como relevantes por sua proximidade com o produtor e pela capacidade de organizar, armazenar e comercializar a produção.
A discussão no início de uma nova safra busca ampliar o olhar sobre o destino da soja brasileira e suas possibilidades dentro do país, incluindo segurança energética e alimentar. Para Goergen, o futuro da cultura também deve ser avaliado pela renda que permanece com o produtor e pelas oportunidades criadas nas comunidades onde a soja é cultivada.



