Os fertilizantes são o principal item que os agricultores pretendem reduzir caso as margens de lucro diminuam. Pela primeira vez desde o início da pesquisa, mais de 35% dos entrevistados apontaram esse insumo como prioridade de corte — foram 36%, contra 16% para máquinas agrícolas e 15% para fungicidas.
O levantamento bianual da consultoria americana McKinsey indica que a maior parte dos produtores rurais também planeja diminuir investimentos nos próximos 12 a 18 meses e procurar alternativas mais baratas. A pesquisa foi realizada entre abril e julho com 5,5 mil agricultores de dez países: Estados Unidos, Canadá, Alemanha, França, Espanha, Brasil, Argentina, Peru, China e Índia.
Preferência por genéricos
Na maioria dos mercados avaliados, a proporção de produtores que pretendem reduzir gastos supera a daqueles que planejam ampliar investimentos. Argentina, Canadá, Índia e Brasil estão entre os países com maior intenção de cortar despesas. A França foi a única em que prevaleceu a disposição de aumentar os investimentos.
Com exceção dos produtores de commodities agrícolas da Ásia, excluindo a China, a maioria dos entrevistados nas demais regiões afirmou que pretende trocar defensivos agrícolas de marca por genéricos, produzidos com tecnologia de patente expirada. A intenção foi indicada por 36% dos produtores na América do Norte, 30% na Europa, 33% na América Latina e 35% na China, considerando os próximos dois anos.
A McKinsey relaciona o ambiente de maior instabilidade global ao conflito no Estreito de Ormuz, às mudanças nas dinâmicas de comércio e à elevação dos preços de fertilizantes e dos custos de energia. A consultoria também cita incertezas sobre políticas locais, condições climáticas menos previsíveis e escassez de mão de obra como fatores que dificultam as decisões nas propriedades.
Clima e tecnologia
Na América Latina, 58% dos produtores identificaram os riscos climáticos como a principal ameaça à obtenção de lucro nos próximos dois anos. O relatório associa essa preocupação à expectativa de um El Niño muito forte, com possibilidade de secas significativas, calor, incêndios florestais e chuvas extremas na América Latina e no Caribe.
Nas demais regiões, o aumento dos custos dos insumos foi apontado como maior risco: 53% na Ásia, 58% na Europa e 66% na América do Norte.
A pesquisa também registrou avanço tecnológico no campo. A inteligência artificial generativa já é usada por 17% dos agricultores consultados. Na América Latina, a adoção chega a 26%, incluindo 7% que utilizam ferramentas pagas. O uso de produtos biológicos também cresceu, e a região apresenta as maiores taxas de adoção, liderada pelo Peru.



