A produção brasileira de arroz caiu para 11 milhões de toneladas na safra 2025/26, enquanto a de feijão recuou para 2,9 milhões de toneladas. Os números finais foram divulgados pela Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) nesta terça-feira (15/9), junto com uma estimativa preliminar para o próximo ciclo.
Apesar da menor oferta, o arroz não apresenta tendência de alta neste momento. O IPCA mostra estabilidade no acumulado do ano, com variação de +0,39%, e queda de -8,85% nos últimos 12 meses. Em agosto, o preço subiu +1,34%.
O professor Felippe Serigati, do FGV Agro, avalia que o mercado busca um novo equilíbrio: “O mercado está se ajustando”.
Já o feijão teve comportamento diferente. O tipo carioca acumula alta de +42,30% no ano e de +44,17% em 12 meses. Ainda assim, houve queda de -4,82% em agosto. O feijão preto subiu +25,85% no acumulado do ano e +19,98% em 12 meses, enquanto recuou -0,63% no último mês.
Menor área plantada
A redução da produção dos dois grãos ocorreu principalmente pela diminuição da área cultivada. No arroz, a área plantada caiu 14% e ficou em 1,5 milhão de hectares. No feijão, houve retração de 5,7%, para 2,5 milhões de hectares.
A Conab relaciona esse movimento ao achatamento dos preços pagos aos produtores, que reduziu o estímulo para o plantio. De acordo com o Indicador Cepea/Irga, a saca de 50kg de arroz em casca valia mais de R$ 120 em meados de 2024. Quando começou o plantio da última safra, em setembro do ano passado, a cotação havia caído pela metade. Nas últimas semanas, o preço reagiu e chegou a R$ 80.
No feijão preto tipo 1, a saca de 60kg alcançou R$ 350 em setembro de 2024 na metade sul do Paraná. Um ano depois, estava em R$ 117.
Projeção para a próxima safra
Para a safra 2026/27, a Conab estima nova redução na produção de arroz. A área deve crescer 0,9%, mas a colheita projetada é de 10,7 milhões de toneladas, queda de 2,9% em relação ao ciclo 2025/26.
A companhia relaciona a previsão ao volume de mais de 12 milhões de toneladas produzido na safra 2024/25, que pressionou os preços pagos aos produtores. Gabriel Corrêa, gerente de fibras e alimentos básicos da Conab, afirmou: “Isso gerou um excedente de oferta muito grande, que derrubou bastante os preços ao produtor”.
A produção de feijão deve permanecer em torno de 2,9 milhões de toneladas em 2026/27. A única redução de área prevista é a do feijão de segunda safra, de -1,9%.
O presidente da Conab, Silvio Porto, ponderou que a queda na produção do feijão ainda pode não se confirmar, porque essa segunda safra será plantada em dezembro e dependerá das condições climáticas e dos preços.



