SÃO PAULO — A eventual saída das empresas de apostas do mercado imobiliário não deve provocar uma mudança relevante na ocupação de escritórios, segundo avaliação da SiiLA. Para Giancarlo Nicastro, CEO e fundador da consultoria, a procura por espaços está aquecida com a retomada do trabalho presencial, o que favoreceria a substituição dos contratos.
A SiiLA identificou aproximadamente 16 mil m² ocupados por companhias ligadas às bets. Esses imóveis geram R$ 22,6 milhões por ano em aluguéis. Em caso de proibição total das empresas de apostas no País, a taxa de vacância na cidade de São Paulo subiria de 15,88% para 16,02%.
A Betano concentra o maior escritório, com 3,7 mil m² e aluguel anual de R$ 8,6 milhões. A Novibet ocupa 1,9 mil m² na região da Avenida Chucri Zaidan, por R$ 2,3 milhões ao ano. Na região da Faria Lima, a Betnacional mantém 804 m², com custo anual informado de R$ 3,2 bilhões.
Espaços podem ser absorvidos
Nicastro afirma que a taxa efetiva de vacância seria menor quando são retirados da amostra imóveis sem comercialização há mais de 3 anos ou com problemas relacionados a valor, locação ou documentação. Nessa conta, a vacância real do mercado ficaria em torno de 7%, com algumas regiões apresentando índice praticamente nulo.
A avaliação é que a recolocação dos espaços possa ocorrer rapidamente porque diversas empresas ainda não conseguiram acomodar todos os funcionários depois do fim da pandemia de covid-19. O setor financeiro, que teve forte adesão ao home office, está entre os que mais retornam aos escritórios. Também aparecem como potenciais ocupantes empresas de advocacia e tecnologia.
A desocupação, porém, não seria imediata. O processo pode levar algumas semanas ou meses, e os contratos podem prever multas de rescisão. Parte desses valores poderia ser compensada, total ou parcialmente, pelo mobiliário deixado pelas empresas.
Mercado fora da capital paulista
Além de São Paulo, as bets ocupam 2.838 m² em escritórios nas cidades de Belo Horizonte, Campinas, Porto Alegre e Rio de Janeiro.
A retomada dos escritórios também aparece em um contrato recente do Itaú. O banco vai ocupar as duas torres do complexo Esther Towers, na Avenida Chucri Zaidan, em uma locação que deve gerar R$ 1,17 bilhão em dez anos para a Eztec. Funcionários administrativos devem comparecer ao escritório três vezes por semana a partir do primeiro trimestre de 2028. Superintendentes devem ir quatro vezes a partir de janeiro de 2027.



