SÃO PAULO — A queda da vacância, a elevação dos aluguéis e a pré-locação de empreendimentos em construção estão criando condições para uma nova rodada de investimentos em prédios de escritórios na cidade de São Paulo, de acordo com a consultoria imobiliária CBRE. O movimento, porém, se concentra em áreas com demanda elevada e pouca oferta, como Itaim, Faria Lima e Pinheiros.
Na Faria Lima, a escassez de espaços disponíveis levou o aluguel de novos imóveis a superar R$ 350 ou R$ 400 por metro quadrado em alguns casos. Para Adriano Sartori, presidente da CBRE, esse nível de preços começa a sustentar financeiramente novos projetos. Ele ressalvou, contudo, que a margem dos empreendimentos segue pressionada pelos custos de construção, outorgas e financiamento.
Projetos em andamento
As incorporadoras Lucio e Bolsa de Imóveis estão construindo dois prédios no eixo entre Itaim e Faria Lima, com entrega prevista para 2028. Um projeto terá 17 pavimentos e 15 mil m² na Rua Jerônimo da Veiga com a Rua Iguatemi. O outro contará com cinco pavimentos e 26 mil m², na esquina da Rua Chilon com a Faria Lima.
Também está previsto para 2028 o Campus JK, nova sede do Santander, na Avenida Presidente Juscelino Kubitschek. O empreendimento sob medida terá três torres corporativas interligadas e seis pavimentos de escritórios, totalizando 40 mil m².
Sartori afirmou que a confirmação da alta dos aluguéis nos próximos trimestres pode atrair mais recursos para o setor. A expansão dos investimentos depende ainda de uma melhora no cenário macroeconômico, incluindo juros mais baixos.
Procura e oferta
As locações de escritórios somaram 180 mil m² no primeiro semestre, próximo do recorde de 187 mil m² registrado no mesmo período do ano passado. Felipe Giuliano, diretor sênior de locação da CBRE, atribuiu a procura à redução do home office e à volta das empresas aos escritórios, principalmente as de grande porte.
Entre as negociações recentes, o Itaú Unibanco alugou as duas torres do Complexo Esther Towers, com 91,4 mil m². O Nubank contratou espaços no Cyrela Corporate e no Capote 210, em um total de 50 mil m², enquanto a Bayer locou 16 mil m² no Alto das Nações.
A vacância na cidade caiu para 15,1%, ante um pico na faixa de 22% durante a pandemia. Nos edifícios de padrão triplo A, o índice está em 9,8%.
Os projetos com entrega prevista para 2027 devem acrescentar 206 mil m² ao estoque de escritórios. Desse volume, 60 mil m², equivalentes a 29%, já foram pré-locados. A comercialização de mais 26 mil m² pode elevar a pré-locação para 86 mil m², ou 42%.



