Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
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ITA formou base tecnológica que impulsionou a Embraer e o setor aeronáutico

Instituto criado em 1950 preparou engenheiros para projetos como o Bandeirante e o Gripen F e ampliou sua atuação para outras áreas.

ITA formou base tecnológica que impulsionou a Embraer e o setor aeronáutico
Foto: Governo do Ceará/Divulgação

A trajetória da Embraer e a participação brasileira no desenvolvimento do caça Gripen F têm como uma de suas bases o Instituto Tecnológico de Aeronáutica (ITA), ligado à Força Aérea Brasileira (FAB). Criado em São José dos Campos, no Vale do Paraíba, o instituto formou engenheiros que ajudaram a estruturar a indústria aeronáutica do país.

O Gripen F realizou seu primeiro voo em 28 de agosto, a partir do aeródromo da Saab em Linköping, na Suécia. Mais de 350 engenheiros, técnicos e pilotos brasileiros participaram do desenvolvimento do modelo, em um programa de transferência de tecnologia entre Brasil e Suécia. O trabalho incluiu a formação de 200 engenheiros brasileiros na Suécia por dois anos, segundo Anderson Correia, presidente do Instituto de Pesquisas Tecnológicas (IPT) e ex-reitor do ITA.

A Embraer, por sua vez, é apontada como possível protagonista do próximo ciclo tecnológico da aviação mundial. A empresa tem uma carteira de pedidos de cerca de US$ 34,5 bilhões e, na avaliação de analistas globais do setor, pode avançar na fabricação de aeronaves maiores para competir com Boeing e Airbus.

Formação e planejamento

O ITA foi idealizado em uma comissão estabelecida em 1945 e fundado em 1950. Seu projeto esteve ligado ao marechal Casimiro Montenegro Filho, que participou da criação do Ministério da Aeronáutica e da FAB em 1941. Entre 1945 e 1950, ele atuou para viabilizar a instituição, com apoio do professor Richard Smith, que se tornou seu primeiro reitor.

Smith defendia que o Brasil deveria desenvolver capacidade própria para fabricar aeronaves. Seu plano incluía o ITA e o Centro Técnico Aeroespacial (CTA), além da produção de cargueiros, objetivo que mais tarde seria associado ao KC-390. A estratégia priorizava a formação de pessoas e a aquisição gradual de conhecimento.

“Tecnologia se conquista”, afirmou Tércio Pacitti, reitor do ITA nos anos 1980. Ao longo de sete décadas e meia, cerca de 9 mil engenheiros passaram pela instituição. Entre os ex-alunos citados estão Rogério Cerqueira Leite, ligado à criação do Centro Nacional de Pesquisas em Energia e Materiais (CNPEM), Anderson Soares, fundador do Centro de Excelência em Inteligência Artificial (Ceia), e Silvio Meira, um dos criadores do Porto Digital.

Do Bandeirante ao futuro campus

A cultura de formação do ITA contribuiu para o desenvolvimento do avião Bandeirante, projeto conduzido no CTA na década de 1960 por Ozires Silva, formando do instituto e fundador da Embraer. O trabalho envolveu cerca de 300 pessoas e também incluiu o planador Urupema. A apresentação do protótipo ao presidente Costa e Silva contribuiu para a criação da empresa em seguida.

Atualmente, a Embraer é a fabricante cujos aviões realizam mais voos dentro dos EUA. No Aeroporto de LaGuardia, em Nova York, seus aviões representam um terço da frota que opera no local.

A expansão do modelo do ITA também chegou ao Ceará, estado de nascimento de Montenegro. Em janeiro, foi colocada a pedra fundamental de um futuro campus na Base Aérea de Fortaleza. O projeto terá custo de R$ 400 milhões e começará com cursos de engenharia de energia e de sistemas, além de aulas de biotecnologia.

Para Anderson Correia, a instituição pode ampliar sua contribuição para setores como carros a hidrogênio e data centers. A proposta mantém a lógica de formar profissionais e permitir que os resultados amadureçam ao longo de 10 ou 20 anos, em vez de concentrar esforços apenas em projetos de curto prazo.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

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