Belo Horizonte, Quinta-feira, 1 de outubro de 2026
O radar da região e do país
Economia

Brasil ganha espaço no mercado global de alimentos, mas enfrenta custo maior dos insumos

Produção e exportações avançam, enquanto a dependência de fertilizantes importados pressiona a rentabilidade das lavouras brasileiras.

Brasil ganha espaço no mercado global de alimentos, mas enfrenta custo maior dos insumos

O Brasil amplia sua participação no mercado global de alimentos em um cenário de maior risco para a oferta, marcado por eventos climáticos extremos, tensões geopolíticas e problemas logísticos. Em agosto, o Índice de Preços de Alimentos da Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) alcançou 133,3 pontos, com alta de 1,9% em relação a julho.

A Companhia Nacional de Abastecimento (Conab) estima a safra brasileira de grãos em 361,7 milhões de toneladas. Entre janeiro e agosto, as exportações do agronegócio chegaram a US$ 57,85 bilhões, crescimento de 9,45% ante o mesmo período de 2025, conforme dados do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC).

Oferta brasileira e mercado de soja

A Consultoria Agro do Itaú BBA atribui o avanço do país a fatores como ganhos de produtividade, consolidação da segunda safra, adaptação genética ao clima tropical e integração entre lavoura e pecuária. A consultoria avalia que, quando há restrição na oferta mundial, a demanda tende a buscar produtos brasileiros, ampliando o papel do país no abastecimento internacional.

Na soja, relatórios do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) apontaram compras expressivas da China nos Estados Unidos nas últimas semanas de agosto. No mesmo período, os embarques pelos portos brasileiros avançaram. Para o Itaú BBA, a estratégia chinesa busca preservar mais de uma origem de fornecimento, especialmente durante a entressafra sul-americana. Samuel Mertens, analista da Agrinvest Commodities, considera que parte dessas compras adicionais tem caráter geopolítico e comercial.

O custo dos fertilizantes, porém, permanece como um dos principais pontos de atenção. O Brasil consome cerca de 8% da produção mundial e importa aproximadamente 85% do que utiliza. Essa dependência deixa o produtor exposto às oscilações dos preços internacionais e do câmbio.

Em 2026, a relação de troca piorou para soja e milho, com aumento da quantidade de sacas necessária para adquirir uma tonelada de MAP. A StoneX avalia que a janela de compras de fertilizantes para a soja está praticamente encerrada, enquanto o mercado acompanha a adubação do milho segunda safra. Tomás Pernias, analista da empresa, afirma que o segundo semestre concentra a reposição e a recomposição dos estoques de nitrogenados para a safrinha.

Texto produzido pela Redação Radar do Contexto com apoio de inteligência artificial a partir de fontes públicas, com revisão editorial. Erros? Fale conosco.

Assine nossa newsletterAs principais notícias do dia no seu e-mail.